quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Igrejas ou Pastores Decadentes?







Autor: José Gonçalves [1]




                                            IGREJAS OU PASTORES DECADENTES?

Existem mercenários, que pregam por dinheiro. Isto é um fato, mas por outro lado, existem igrejas miseráveis e pastores decadentes! Fiz um post sobre pregadores que andam procurando agenda (AGENDA ABERTA), e fiquei surpreso com a ampla repercussão da postagem. A maioria esmagadora, como eu esperava, apoiou o post porque sabe que condiz com os fatos. Agora quero tratar do outro lado da questão. Vou tratar aqui de igrejas decadentes (ou seria melhor: pastores decadentes?), que ao convidar alguém para ministrar quer recompensá-lo (abençoá-lo no jargão pentecostal) com CESTA BÁSICA ou com um "deus te abençoe! ("deus" com "d" minúsculo. Sou pastor de tempo integral, escritor e também mestre e como tal já tive a oportunidade de ver os dois lados da moeda. Já ministrei em quase todos os estados da federação (e fora do pais também por algumas vezes) e naqueles estados onde não ministrei recebi convites para ministrar, mas que devido a compromissos já anteriormente assumidos não permitiam novos agendamentos. Em nenhum deles exigi cachê ou estipulei valores para ministrar! 

Em todos os lugares que ministrei a igreja ou pastor se sentiram livres para ofertar como desejaram. Dezenas de vezes ouvi a pergunta: "Quanto o irmão cobra para ministrar em minha igreja?" Sempre respondo: "Não cobro para pregar". Então vem a sequencia: "Então como podemos abençoar o irmão?" Respondo que como pastor de igreja eu também já estou habituado com eventos de grande e pequeno porte e costumo dar uma oferta livre aos preletores convidados. Todos os que passaram por aqui sabem que foram abençoados! (Se não o foi, tem toda liberdade de dizer o contrário aqui). Pois bem, é aqui que surge a diferença entre um pastor decadente e um outro que é abençoado e tem a visão do reino. O que caracteriza, portanto, ou como se identifica uma igreja ou pastor decadente?

1. O pastor decadente, geralmente é alguém que está à frente de uma igreja por uma questão de sobrevivência. A igreja para ele é uma fonte de renda, uma vaca leiteira. Não sobra dinheiro para eventos evangelísticos, missionários, congressos, etc, porque a renda é pouca e se sair para esses "gastos" corre o risco dele ficar sem salário.

2. O pastor decadente tem a mão mirrada. Ele quer ganhar muito, mas o seu convidado que abençoou a igreja com a palavra precisa se contentar com um "deus te abençoe" ou com uma cesta básica. Conheço casos que cantores e pregadores foram abençoados com cesta básica. Em outros casos o pastor mostra todo o despreparo administrativo pondo a culpa da oferta mirrada para o convidado no baixo volume de inscrições. Não sabe trabalhar e administrar, pois se soubesse teria feito antes a reserva financeira para os palestrantes.

3. O pastor decadente faz eventos em sua igreja apenas para atender a demanda da igreja e muitas vezes nem ele mesmo se faz presente nos trabalhos.

4. O pastor decadente não apoia os departamentos da igreja. Geralmente joga toda a responsabilidade dos eventos nos departamentos, sobrecarregando os irmãos. Todavia ele, como administrador da igreja, não deixa a renda da igreja entrar como contrapartida em nada. Geralmente os crentes, como zangões de abelhas, tem que se virar nos trinta (em campanhas e mais campanhas intermináveis) para gerir fundos para eventos. É evidente que os departamentos tem que aprender a se autofinanciarem, mas não é o caso aqui. A igreja precisa dar suporte financeiro aos departamentos quando necessário.

5. O pastor decadente não ver eventos de natureza espiritual como investimento, mas como gasto. Nesse caso, que valor tem um congresso de EBD ou um congresso de Senhoras? Não sabe ele que a Palavra de Deus ministrada nesses eventos é poderosa para trazer renovo à igreja e poupá-lo de horas de aconselhamento com seus membros.

6. Por fim, o pastor decadente é alguém que a igreja leva nas costas, se tornou um peso para a igreja e para o reino de Deus.

Vamos orar para que Deus nos guarde de sermos decadentes e orar para que Deus possa despertar os que estão nessa condição.



 [1] Pastor da Assembleia de Deus em Água Branca- PI. Graduado em Teologia pelo Seminário Batista de Teresina e em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí.  É presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Piauí e vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB. Além de comentarista das revistas Escola Dominical da CPAD, é também articulista a autor dos livros: As Ovelhas também Gemem, Porção Dobrada, Por que Caem os Valentes, A Prosperidade à Luz da Bíblia e Defendendo o Verdadeiro Evangelho, todos pela CPAD.

Fonte: <https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1878862032124071&id=100000008787869&_rdr#1886005044743103>.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mardoqueu era tio da rainha Ester?








                    
            Bem, durante o nosso tempo de Fé, por algumas vezes ouvimos nos templos cristãos que a rainha Ester era sobrinha de Mardoqueu, como, por exemplo, na canção cujo título é “Minha Conquista” que diz: “Ester, exemplo de mulher e de coragem, ainda criança perdeu os pais e foi criada pelo tio Mardoqueu...[1].  Bem, embora esta declaração não comprometa a história da rainha,  entendemos que ela carece duma observação com base na narrativa bíblica.


Vamos reler a história? 

Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita, que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de Babilônia. Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.” (Et 2:5-7 ACF).
Perceberam que o texto diz que Mardoqueu criou Ester, e que esta era filha do tio dele? Que tal agora sabermos o nome do tio de Mardoqueu e pai de Ester?  

Chegando, pois, a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu (que a tomara por sua filha), para ir ao rei, coisa nenhuma pediu, senão o que disse Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres; e alcançava Ester graça aos olhos de todos quantos a viam.” (Et 2:15 ACF) 

 Portanto, Mardoqueu não era tio, mas um primo que teve um papel importantíssimo na vida de Ester. 



[1] Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=quqhkOi4tuw>. Acesso em 27 de janeiro de 2018. O intuito do nosso texto não é denigrir a canção, pois, além de conter muitas verdades bíblicas, é também muito bonita. O intuito é de apenas mostrar o que realmente ensinado nas Escrituras.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A condenação do aborto na História






Apesar de o debate sobre o aborto ser frequente em nossos dias devido a insistência de alguns que acham essa prática algo legal, desde os tempos antigos ele era visto como um crime seríssimo. Povos que não tinham o Deus da Bíblia como Senhor, como, por exemplo, os sumerianos, babilônios, assírios e hititas não admitiam o aborto em qualquer circunstância. Entre os hebreus a visão era a mesma. Flávio Josefo, historiador judeu, diz que a “Lei ordenou que todas as crianças recebam a devida criação e proibiu as mulheres de abortar ou destruir a semente; a  mulher que o faz será julgada como assassina de crianças, porque fez com que uma alma se perdesse e que a família de um homem fosse diminuída”. (Contra Apion 2. 202.). 

No código legal do Império Medo-Assírio do século 12 a.C há uma sentença de morte em desfavor da mulher que abortasse intencionalmente: “Se alguma mulher abortar intencionalmente, depois de julgada e condenada, deverá ser empalada em estacas sem enterro. E se tiver morrido ao abortar, a empalarão em estacas sem enterrá-la”. 

Todavia, tanto na cultura grega, como na romana, houve uma tolerância quanto ao aborto. Em Roma, por exemplo, existia um regulamento que determinava que filhos acima além do limite permitido deveriam ser abortados. Já para o filósofo grego, Platão, as gestantes com embriões defeituosos não deveriam dar à luz. Aristóteles ainda foi mais adiante ao defender que os bebês nascidos com deformações deveriam ser abandonados para morrerem. Os espartanos, após mergulharem os bebês numa banheira de vinho, como forma de teste, matavam os reprovados jogando-os de uma ribanceira. 

Porém, corroborando com a Bíblia (Ex 20:13), antigos escritos cristãos, como o do pai da igreja, Clemente de Alexandria, condenam o aborto: “Toda a nossa vida só pode prosseguir segundo o plano perfeito de Deus se adquirirmos o domínio sobre nossos desejos, praticando a continência desde o início, em vez de destruirmos por meio de atos perversos e perniciosos a descendência humana, cujo nascimento é a obra da Providência Divina. As pessoas que recorrem a medicamentos abortivos para esconder sua fornicação são responsáveis pelo assassinato direto não só do feto, mas também de toda a raça humana”. (JR, Walter C. Kaiser. O Cristão E As Questões Éticas Da Atualidade. Reimpressão. 2017. p. 138, 139, 183. VIDA NOVA). A mesma condenação é vista na Didaqué ou A instrução dos Doze Apóstolos: “Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido”. (Padres Apostólicos. 7ª reimpressão. 2015. p. 345. PAULUS).

“A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva”.     
       
                                                              Hipócrates

sábado, 20 de janeiro de 2018

Jesus e o vinho em Caná






Alguns defensores da ingestão alcóolica, na tentativa de fazer com que Jesus ou a Bíblia aprove a ingestão de álcool, interpretam a fala do mestre-sala, quando este disse: ...“beberam fartamente” (Jo 2:10 ARA) como um xeque-mate contra os que se abstém do álcool pelo simples fato dessa palavra, em grego methysthōsin que vem de methyō, significar uma embriaguez, como, por exemplo, na LXX (Embriagai-o - μεθύσατε αὐτόν (Jr 31:26). Esses defensores dizem que havia um costume de se embriagar em casamentos e que Jesus endossou isso ao transformar água em vinho.

Porém, a nosso olhar o texto de João não diz que as pessoas tinham o hábito de se embriagar, pois methyō também pode ter o sentido de algo suficiente, satisfatório, razoável, regular ou moderado quando lido em  (Is 58:11) na Septuaginta. O texto diz: 

καὶ ἔσται ὁ θεός σου μετὰ σοῦ διὰ παντός καὶ ἐμπλησθήσῃ καθάπερ ἐπιθυμεῖ ἡ ψυχή σου καὶ τὰ ὀστᾶ σου πιανθήσεται καὶ ἔσῃ ( ὡς κῆπος μεθύων ) καὶ ὡς πηγὴ ἣν μὴ ἐξέλιπεν ὕδωρ καὶ τὰ ὀστᾶ σου ὡς βοτάνη ἀνατελεῖ καὶ πιανθήσεται καὶ κληρονομήσουσι γενεὰς γενεῶν (BibleWorks 9)

 O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás ( como um jardim regado ) e como um manancial cujas águas jamais faltam. (Isa 58:11 ARA) 

Este texto diz que o abençoado será como um jardim regado. Ora, regar é totalmente diferente de inundar ou afogar. Alías, se em um jardim as plantas forem afogadas pela água elas podem morrer [1]. Diante disso, é fácil entender que o mestre-sala estava dizendo que geralmente nos casamentos as pessoas tomavam o vinho bom, mas após o seus paladares ficarem totalmente regados com o sabor da uva, elas não distinguiriam qual tipo de vinho estavam tomando quando o de menos qualidade fosse servido. Não era necessário estar bêbado para não perceber a diferença. 

            Além disso, segundo alguns comentaristas, o vinho bíblico era ingerido depois de misturado com água. Vejamos as fontes:

Keener, Craig S. Comentario Bíblico Atos - Novo Testamento. P. 278.ATOS;

STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. P. 700. ATOS;

GEISLER, Norman & HOWER, Thomas. Manual de Dificuldades Bíblicas p. 406-407. MC;

Bíblia da Reforma. Nota de rodapé. P. 1754. SBB;

BARNES, Albert. Notes on the Whole Bible - 1Timothy 5:23;
Disponível em: <https://www.studylight.org/commentaries/bnb/1-timothy-5.html>

            Desse modo, fica mais claro que Jesus ou a Bíblia em momento algum apoia a ingestão alcoólica sobretudo no modus operandi dos dias atuais onde as pessoas bebem quase todas os dias como entretenimento, algo inexistente nos tempo bíblicos.   

[1]  Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=AvrEeI9iMkI>.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O suicida egocêntrico pode ser perdoado?










Falar em suicídio nunca é um assunto agradável, pois na maioria das vezes ele vem à tona depois que uma pessoa acaba o colocando em prática. O suicídio é algo que gera  tristeza tanto para os familiares de quem o pratica, como para Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança (Gn 1:26).

  Todavia, achamos relevante tratá-lo aqui por tomarmos conhecimento que há um bom número de pessoas que entendem que o suicídio, embora seja um pecado, é perdoável. Além disso, quem o pratica tem um lugar reservado no Reino de Deus, desde que seja um genuíno cristão. Mas, a Bíblia traz alguma informação em favor disto? 

Bom, muitos esquecem ou não sabem que um suicida é antes de tudo um auto-homicida  (Ex 20:13) impossibilitado de arrepender-se uma vez que está morto. A Bíblia diz que um homicida precisa confessar o seu pecado para então obter perdão da parte de Deus:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Pv 28:13)

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1:9)

Porém, o pedido de perdão deve ser feito em vida, pois após a morte não há mais chance de arrependimento para ninguém, senão o juízo (Hb 9:27). 

Diferente do que é afirmado por alguns, As Escrituras mostram que Deus não reservou lugar algum em seu Reino para os homicidas: 

Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.” (Ap 22:15)

Qualquer outra interpretação quanto ao auto-homicídio  que defenda que há perdão para quem o praticar, dever ser rejeitada. Se o versículo acima diz que homicidas, prostitutos e os amantes da mentira não terão lugar no Reino de Jesus Cristo, é porque não terão. Quem defende o contrário disso, isto é, que João não quis dizer realmente o que interpretamos, precisa, necessariamente, defender que há salvação também para os prostitutos e os amantes da mentira. Todavia não se deve ir além do que está escrito (1Co 4:6). 

Vale salientar que o fato de alguém ser um genuíno cristão não o isenta da condenação se porventura matar-se,  pois, para a Bíblia, o genuíno cristão que se mata além de aniquilar a imagem de Deus contida nele (Gn 1:26) está destruindo o templo e a morada do Senhor, o que lhe acarreta destruição também (1Co 3:16-17, 6:19).

Bom, se depois dessa breve abordagem alguém ainda ficar com alguma dúvida sobre se a Bíblia mostra um suicida sendo condenado, é só recorrer a lógica. 

Ex: Se há mais evidências bíblicas em desfavor ao perdão de um suicida, e nenhuma a favor, prevalece as que fazem objeção. 


Sendo assim, concluímos que qualquer que se matar por infelicidade na vida, como, por exemplo, Saul e seu escudeiro (1Sm 31: 4-6); Aitofel: (2Sm 17:23); Zimri: (1Rs 16:18) e Judas (Mt 27:5), terá como prêmio uma ida sem volta ao Lago de Fogo preparado para o diabo, seus demônios e para os que pecam e morrem sem pedir perdão (Sl 9:17; 1Co 6:9; Ap 20:10). 

Obs: O intuito deste artigo não é atingir de modo maldoso alguém que perdeu um ente querido nessa situação, mas de advertir os que estão pensando em dar tal passo, com base na atitude do apóstolo Paulo para com o carcereiro:

Acordando o carcereiro e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido. Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos.” (At 16:27-28)

                                                               Diga NÃO ao suicídio!