terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O que João Calvino achava da Onipresença de Jesus?







Bem, é sabido que Calvino não é bem visto por causa do seu testemunho de vida, pois participou de forma direta e indireta da morte e prisão de pessoas que para ele eram hereges e dignas das mais vis punições1. Também, a teologia de Calvino quanto à salvação é de causar pavor, ou seja, a de que Jesus lançará uma multidão de pessoas para sofrerem eternamente no Lago de Fogo preparado para o diabo e seus anjos, sem ter dado a chance de arrependimento as tais, pois, as predestinou para isso, uma vez que Ele só ama algumas pessoas, e não todas conforme Ele mesmo disse em (Jo 3:16). Contudo, mesmo sendo a pessoa problemática que foi, tanto na área social como na teológica, Calvino tem muitos admiradores, a saber, os chamados Calvinistas que, em sua maioria, concorda com quase toda sua teologia. Aliás, por esses dias pudemos ver alguns desses dizendo que Jesus no céu sente sono, sede, fome, que Ele não conhece a mente de Deus  e outras coisas estranhas à Bíblia. Mas, não é sobre a pessoa de Calvino e nem dos seus admiradores que queremos falar, mas de uma assertiva que esse teólogo colocou na sua obra mais famosa, isto é, As Institutas. Segundo o que consta, Calvino não acreditava que Jesus, atualmente seja Onipresente, pois para ele o fato de Jesus tem um corpo humanos, ou como ele chama - finito - não pode estar por toda parte, senão apenas no céu. Bom, vejamos o que Calvino disse:  

Desço agora às misturas hiperbólicas que a superstição introduziu, porque com mirabolesca astúcia aqui se recreou Satanás, de sorte que as mentes dos homens, afastadas do céu, as imbuísse de perverso erro, como se Cristo fosse encerrado no elemento do pão. E, primeiro, a presença de Cristo no sacramento de modo nenhum deve ser sonhado como o configuraram os artífices da cúria romana, como se o corpo de Cristo fosse contido em uma presença local, para ser tocado pelas mãos, triturado pelos dentes, tragado pela boca! Ora, o papa Nicolau ditou a Berengário221 esta fórmula de retração que lhe houvesse de ser prova de arrependimento, contudo em termos a tal ponto monstruosos que o autor da glosa exclama que, a menos que os leitores se precavenham prudentemente, há perigo de que daí concluam heresia pior do que foi a de Berengário. Pedro Lombardo, porém, ainda que se esforce muito em escusar-se o absurdo, contudo mais se inclina a opinião diferente.  Ora, pois, como estamos longe de disputar que, de conformidade com a perpétua consistência do corpo humano, o corpo de Cristo seja finito e se mantém no céu, onde foi uma vez recebido, até que retorne para o Juízo [At 3.20, 21], assim julgamos ser absolutamente absurdo trazê-lo de volta sob esses elementos corruptíveis ou imaginá-lo por toda parte presente 2.


Como pudemos perceber, Calvino entendia que Jesus não pode estar mesmo em todos os lugares ao mesmo tempo. Todavia, os que estudaram diretamente com Jesus, como por exemplo, o apóstolo Mateus, não concordaria com Calvino se tivesse lido sua obra, pois segundo esse evangelista, o próprio Jesus disse que onde estiverem 2 ou 3 reunidos em seu nome Ele se faz por presente. (Mt 18:20). Ademais, o fato de Jesus estar em um corpo humano, não significa que Ele está limitado ao tempo ou ao espaço, pois mesmo já ressurreto Cristo pôde entrar num local em que as suas portas estavam trancadas (Jo 20:26). Não sabemos o que levou Calvino a pensar dessa forma. Talvez tenha sido por falta de uma boa lida nos Evangelhos.

Em suma, acreditar no que pensou Calvino, é o mesmo que dizer que Jesus atualmente é menos poderoso do que era antes de vir ao mundo morrer por todas as pessoas sem exceção, ou seja, quando ainda não tinha um corpo humano e glorificado, o que vai de encontro à Doutrina da Santíssima Trindade.


1-      Disponível em: <https://www.facebook.com/prof.antonioreis/posts/1065125420265871?pnref=story>.Acesso em 27/12/2016.
2- CALVINO, João. As Institutas. Tomo 4. Capítulo 17. Seção 12. (Grifos nossos).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Incoerência nos adeptos do Teísmo Aberto.










                             
Segundo alguns, Jesus, mesmo sendo Deus, poderia ter escolhido pecar na tentação do deserto, e não cumprir as profecias messiânicas que tratavam da obra redentora que Deus havia contemplado pela Sua Perfeita Presciência e passado aos escritores inspirados (Is 53, Sl 22 2Tm 3:16). Esses são os adeptos do Teísmo Aberto, ensino esse que defende que Deus não sabe de forma eficaz e absoluta o futuro. 

O arminiano, Jack Cottrell, cita os mais famosos representantes dessa crença, a saber, Clark Pinnock, John Sanders, Gregory Boyd e o adventista Richard Rice.1

Todavia, queremos destacar a profetisa adventista, a Srª Ellen Gould White. White é tida como inerrante pelos adventistas do sétimo dia. Vejamos o que os adventistas já declararam sobre ela e os seus escritos:
 

“Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreve foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato”.2

 “Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que o genuíno dom da profecia seria manifesto na Igreja através das mensagens ou escritos de Ellen G. White. Os seus escritos de forma alguma tomam o lugar da Bíblia. Eles são o cumprimento de Ap. 12:17, o qual declara que o dom de profecia se manifestaria na igreja de Deus nos últimos dias. Os seus escritos passam nos testes bíblico-críticos como sendo efetivamente escritos de um profeta verdadeiro.” 3 


Temos aqui um detalhe que deve ser salientado, pois às vezes ele passa desapercebido. Finley diz: “Os seus escritos de forma alguma tomam o lugar da Bíblia”. Por que será que os escritos dela não tomam o lugar da Bíblia? Porque para os adventistas os escritos da Srª White estão totalmente corroborados com as Escrituras. Ou seja, não são inferiores em nada. Estão em pé de igualdade. E isso foi dito em uma obra também oficial: 

“... Negamos que: A qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas.” 4   
 Pois bem, foi com essa inspiração "divina" que essa profetisa chegou a dizer que Jesus poderia não ter cumprido a obra redentora, ou seja, na concepção dela Ele podia pecar. Logo, se Ele podia pecar, Deus não estava totalmente certo que Jesus morreria pelos pecadores conforme vinha anunciando em suas profecias messiânicas, ou seja, ela cria no que chamamos hoje de Teísmo Aberto. Vejamos o que ela disse a respeito da Segunda Pessoa da Trindade no livro "O Desejado de Todas as Nações: 

Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. Não obstante, ao mundo em que Satanás pretendia domínio, permitiu Deus que viesse Seu Filho, impotente criancinha, sujeito à fraqueza da humanidade. Permitiu que enfrentasse os perigos da vida em comum com toda a alma humana, combatesse o combate como qualquer filho da humanidade o tem de fazer, com risco de fracasso e ruína eterna.
 
Pretendem muitos que era impossível Cristo ser vencido pela tentação. Neste caso, não teria sido colocado na posição de Adão; não poderia haver obtido a vitória que aquele deixara de ganhar. Se tivéssemos, em certo sentido, um mais probante conflito do que teve Cristo, então Ele não estaria habilitado para nos socorrer. Mas nosso Salvador Se revestiu da humanidade com todas as contingências da mesma. Tomou a natureza do homem com a possibilidade de ceder à tentação. Não temos que suportar coisa nenhuma que Ele não tenha sofrido.5

Mas nosso Salvador Se revestiu da humanidade com todas as contingências da mesma. Tomou a natureza do homem com a possibilidade de ceder à tentação. Não temos que suportar coisa nenhuma que Ele não tenha sofrido. 6

Ora, se essas profecias apontavam pra Jesus no Gólgota, como Ele poderia parar em uma etapa anterior (na tentação do deserto)? É ou não é o Teísmo Aberto? É!

Os Teístas Abertos esquecem que a Escritura não pode falhar (Jo 10:35). Deus não erra a flecha lançada ao alvo. Ademais, Jesus escolheu morrer por nós ainda na Eternidade (Ap 13:8); Ele sendo Segunda Pessoa da Trindade jamais poderia estar em desarmonia com a Mesma. Ademais, se Jesus pudesse pecar, Ele não seria o Deus que João afirmou ser (Jo 1:1), pois Deus não peca. Qualquer pessoa que defenda que O Criador poderia ser derrotado pela sua criatura, não pode ser considerada Arminiana, Calvinista, Pelagiana, nem muito menos ortodoxa, mas uma verdadeira heterodoxa.
Assim sendo, um adventista que não confessa que Ellen White discordou da Presciência de Deus Pai e da Divindade de Deus Filho ao dizer que Ele correu o risco de acabar sua vida em ruína eterna, não é um arminiano clássico, mas um whiteano clássico.

Fonte:
1- Disponível em:
<http://deusamouomundo.com/onisciencia/a-presciencia-de-deus-anula-o-livre-arbitrio-humano/>. Acesso em 12 de dezembro de 2016. 

2- CHRISTIANINI, Arnaldo B. Subtilezas Do Erro; 1.ª edição. 1965, p. 35. Casa Publicadora Brasileira.

3- FINLEY, Mark. Estudando Juntos. p. 88. 2013. Editora Sobre Tudo.

4- Revista Adventista, fev. 1984.  p. 37.  Apud BATISTA, Paulo Sérgio. Os 7 mitos do Adventismo. 1ª edição. 2011. p. 78. CEKAP. 

5- Disponível em: 

<http://media2.egwwritings.org/swf/pt_DTN(DA)/files/assets/seo/page32.html>
<http://media2.egwwritings.org/swf/pt_DTN(DA)/files/assets/seo/page33.html>. Acesso em 12 de dezembro de 2016.
6- Disponível em:
 
<http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=DTN&lang=pt&pagenumber=72&UIlang=de&t=1&paragraphReferences=1>. Acesso em 12 de dezembro de 2016.