sexta-feira, 29 de julho de 2016

CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA


“Segundo Aristóteles, somos seres políticos. Uma das condições essenciais do ser humano é o fato de viver agregado a outros homens.

Desta forma, alguns gestos simples, como admitir um princípio como sendo o melhor para o bem comum, torna-se um ato político. Assim como as escolhas que fazemos diariamente.

Ninguém pode considerar-se apolítico, pois o simples fato de não gostar, ou não se envolver com a política, por si só, já envolve uma decisão política: a de concordância com o que está posto e com a aceitação da decisão dos demais. Em outras palavras, ou você faz política ou sofre política.
O problema é que muitas pessoas associam política a politicagem, e acham que somente as pessoas que possuem um cargo ou função política é que a exercem.

Entretanto, quando encaminhamos uma reclamação para um órgão na tentativa de garantir um direito, estamos fazendo política; quando há muita gente pra entrar em um local e fazemos uma fila para evitar bagunça, também; assim como quando um vereador faz uma lei para melhorar as condições do município.

A política está mais presente no cotidiano das pessoas do que se pode imaginar. Ela está no preço da passagem de ônibus, na gratuidade nos transportes públicos para idosos e nos impostos que pagamos sem perceber quando adquirimos qualquer produto no supermercado. Enfim, todas as regras de convivência em sociedade são definidas pela política.

Não é necessário relacionarmos política à corrupção. É claro que não devemos ignorar alguns fatos, e precisamos reconhecer que há muito para ser mudado no cenário político brasileiro. Entretanto, não podemos chegar ao extremo de dizer que a política em si é algo sujo. A política pode até estar suja, neste caso, precisamos varrer a sujeira e não a política.

Alienar-se dos acontecimentos políticos, não irá de maneira alguma minimizar os problemas que temos enfrentado, muito pelo contrário, deixará o caminho livre para que cada vez mais pessoas inescrupulosas se aproveitem de seus cargos para obterem vantagens pessoais.

Precisamos, pois, aprimorar a nossa consciência política, para de alguma forma, seja através de idéias, atitudes ou do nosso voto, mudarmos para melhor a sociedade em que vivemos.” FONTE:http://www.webartigos.com/artigos/e-possivel-viver-sem-politica/33324/#ixzz48J1coNoW


quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Falsa Prosperidade Vs. A Bíblia


                    
                                                                                                                           

                                                           Dobrados honorários (ARA)
                                                                       (1Tm 5:17)

Teologia da Prosperidade. Os líderes, ou os defensores da Falsa Teologia da Prosperidade, de forma bastante tendenciosa se aproveitam desta expressão para tentarem enfatizar que a Bíblia apoia a forma como eles arrecadam dinheiro dos seus liderados. 


Resposta Apologética: Embora o texto esteja falando do mantimento pastoral, o que é bíblico, ele não apoia a ganância ou o método usado pelos defensores desse ensino estranho às Escrituras. O método usado por eles foge daquilo que Bíblia recomenda, pois no contexto bíblico não há margem para a usurpação, por exemplo, da fogueira santa, ou do sabonete do descarrego ou dos sermões apelativos e barganhosos que há nas denominações neopentecostais, algumas pentecostais e simpatizantes, pelo contrário, temos textos que mostram casos de pessoas que foram tomadas pela ganância e que tiveram o fim trágico como: Acã que foi apedrejado por ter escondido em sua tenda os despojos que deveriam ser destruídos (Js 7.20-26), e Geazi, que ficou leproso depois que Eliseu descobriu que ele havia ido cobrar a cura que Naamã havia recebido de DEUS (2 Rs 5.23-27). Ou seja, a usurpação ou a torpe ganância aplicada por essa “teologia” são coisas pecaminosas, algo que um obreiro de Deus não pode ter em seu ministério (1Tm 3:8; Tt 1:7; 1 Pe 5.2), pois, as coisas de Deus são inegociáveis (At 8:18-24).                                             
                                                                                                               Itard Víctor Camboim De Lima.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Testemunhas de Jeová e sua falsa tradução.






                              Εν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν, καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος.

                                                                 - O Verbo era Deus -
                                         

Testemunhas de Jeová. Segundo os defensores da bíblia das Testemunhas de Jeová, o fato de no texto grego de (Jo 1:1) não haver o artigo antecedendo a palavra “Deus” já é o bastante para que a mesma seja traduzida com um artigo indefinido, e para escrevê-la com um “d” minúsculo. 

Resposta Apologética:  Gramaticalmente podemos dizer que esse argumento não se sustenta, pois temos pelo menos 15 ocorrências  (Mc 12:27; Jo 1:18, 8:54; Rm 9:5; 1Co 3:7, 8:4; 2Co 1:21; 5:5; Gl 6:7; Fp 2.13; 1Ts 2:5; 2Ts 2:4; Hb 3:4; 11:16; Ap 21:7), onde o substantivo “Deus” é usado sem artigo no NT no mesmo caso (nominativo - θεὸς) de Jo.1.1, e nem por isso os tradutores sérios, como também as próprias Testemunhas de Jeová, traduziram-nos com artigo indefinido. Se as Tjs não fossem tendenciosas para com o texto que afirma que Jesus é Deus, usariam o mesmo artifício para traduzirem, por exemplo, (Jo 8:54) da seguinte forma:

ἀπεκρίθη Ἰησοῦς· ἐὰν ἐγὼ δοξάσω ἐμαυτόν, ἡ δόξα μου οὐδέν ἐστιν· ἔστιν ὁ πατήρ μου ὁ δοξάζων με, ὃν ὑμεῖς λέγετε ὅτι θεὸς ἡμῶν ἐστιν,

“Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso um deus.”

Porém, traduziram sem o artigo indefinido e com o “d” maiúsculo:

“Jesus respondeu: Se eu glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada. É meu Pai quem me glorifica, aquele que dizer ser vosso Deus;” (Tradução do Novo Mundo das Sagradas Escrituras. Pág 1311. 1986).
                        

                                                                                                          Itard Víctor Camboim De Lima.  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Diferenças entre: Pelagianismo, Semipelagianismo e Arminianismo



Pelagianismo: Pelágio era um monge que viveu no fim do século 4 e início do século 5 D.C. Ele ensinava que os seres humanos nasciam inocentes, sem a mancha do pecado original e pecado herdado. Também acreditava que Deus criava diretamente toda alma humana e, portanto, toda alma era livre do pecado. Pelágio acreditava que o pecado de Adão não tinha afetado as gerações futuras da humanidade. Essa interpretação ficou conhecida como Pelagianismo.
Em síntese:

Pelagiano: qualquer sistema em que o ser humano seja capaz de alcançar a salvação inteiramente por si mesmo sem a assistência divina, além da graça comum (isto é, a graça necessária para que qualquer ser exista). Além do fato que o pelagianismo negou o pecado original.
Semipelagianismo: qualquer sistema em que o processo de salvação seja iniciado pelo ser humano sem assistência da graça.

Percebemos que ambos o pelagianismo e semi-pelagianismo coloca o homem como ponto inicial de sua salvação e negam a doutrina da depravação TOTAL. Algo que a teologia Arminiana não nega.
Mas existe alguns calvinistas e algumas páginas que afirma que o Arminianismo é a mesma coisa que o semi-pelagianismo, talvez eles nunca leram sobre o Arminianismo escrito por Arminianos.
Vejamos algumas frases de alguns teólogos arminianos:

Arminio disse:
Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina. [1]
Simon Episcopius, discipulo de Arminio disse:

Homem não tem fé salvadora em si mesmo; nem ele nasce de novo ou se converte pelo poder de seu próprio livre arbítrio: se achando no estado de pecado, ele não pode pensar, muito menos querer ou fazer qualquer bem que seja de fato salvificamente bom a partir de si mesmo: mas é necessário que ele seja regenerado e totalmente renovado por Deus em Cristo pela Palavra do Evangelho e pela virtude do Espírito Santo, em conjunto com o seguinte: no entendimento, afeições, vontade e todos os seus poderes e faculdades, para que ele possa ser capaz de compreender, meditar, querer e realizar essas coisas que são salvificamente boas.[2]

H. Orton Wiley falou em perfeita harmonia com Arminius, dizendo: “Depravação é total na medida em que afeta todo o ser do homem”. [3]
Por essa declarações, percebemos que o Semipelagianismo e Arminianismo não são as mesmas coisas.

FONTE:https://www.facebook.com/arminianismodazueira/posts/749632975183532 
NOTAS:
[1] Jacobus Arminius, Works, trans. James Nichols(Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1956), 2:192.
[2] Simon Episcopius, Confessions of Faith of Those Called Arminians (London: Heart & Bible, 1684), 118.
[3] H. Orton Wiley, Christian Theology (Kansas City, MO: Beacon Hill, 1941), 2:98.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Qual língua foi falada no dia de Pentecostes?








Para elucidar esta questão, é necessário de antemão sabermos que o autor do livro de Atos, o evangelista Lucas, usou duas palavras distintas para se referir aos tipos de línguas faladas no dia do derramamento do E. Santo.
                           διαλέκτῳ (dialekto)  (At 1:19)        e       γλώσσαις (glóssais) (At 2:4)

Sabendo a definição de cada palavra dentro do contexto em que foram aplicadas, toda e qualquer dúvida deixa de existir. Começaremos evidenciando a palavra glóssais.

Bom, no versículo que inicia a narrativa das línguas que os discípulos falaram, contém a palavra glóssais. Essa palavra na maioria das vezes, com exceção em (At 2:11), sempre aparece nas passagens bíblicas onde o Espírito Santo era derramado sobre as pessoas. Vejamos os textos:

ἤκουον γὰρ αὐτῶν λαλούντων γλώσσαις καὶ μεγαλυνόντων τὸν θεόν. τότε ἀπεκρίθη Πέτρος· (At 10:46 BNT)
Pois eles ouviam os não judeus falarem em línguas estranhas e louvarem a grandeza de Deus. Então Pedro disse: (At 10:46 NTLH)

καὶ ἐπιθέντος αὐτοῖς τοῦ Παύλου [τὰς] χεῖρας ἦλθε τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον ἐπ᾽ αὐτούς, ἐλάλουν τε γλώσσαις καὶ ἐπροφήτευον. (At 19:6 BNT)

E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam. (At 19:6 ARA)

καὶ ἐπλήσθησαν πάντες πνεύματος ἁγίου καὶ ἤρξαντο λαλεῖν ἑτέραις γλώσσαις καθὼς τὸ πνεῦμα ἐδίδου ἀποφθέγγεσθαι αὐτοῖς. (At 2:4 BNT)

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. (At 2:4 ARA)

E ainda temos mais uma ocorrência no texto onde Paulo ensina que, quem fala língua, não fala a homens, mas a Deus, isto é, esse tipo de linguagem só pode ser compreendido por Deus, caso não haja um intérprete (1Co 14:27-28).

ὁ γὰρ λαλῶν γλώσσῃ οὐκ ἀνθρώποις λαλεῖ ἀλλὰ θεῷ· οὐδεὶς γὰρ ἀκούει, πνεύματι δὲ λαλεῖ μυστήρια· (1Co 14:2 BNT)

Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.  (1Co 14:2 ACF)

Em (At 2:4) vemos algo interessante.  A palavra glóssais está ladeada do vocábulo  hetérais que vem do grego heteros, cuja tradução é outras. Segundo William Carey Taylor, essa palavra significa:  
 ἄλλος  e  ἕτερος convidam elucidação. Como tanto outros sinônimos, se empregam popularmente sem distinção alguma em inúmeras passagens. Mas há diferença em várias passagens. ἄλλος = outro (numericamente), ἕτερος= outro (diferente); ἄλλος, outro da mesma qualidade;   ἕτερος, outro de natureza diferente, contrária. A.T Robertson insiste nesta distinção em Gl 1:6-7, onde Paulo não admite dois evangelhos lícitos ou toleráveis (οὐκ ἔστιν ἄλλο) mas classifica o “evangelho” judaizante como ἕτερο (radicalmente diferente do único e verdadeiro evangelho). Assim em 2 Co 11:4. Mas em muitos casos, (1Co 12:9-11), é evidente que o autor varia de ἄλλος a ἕτερος para evitar monótona repetição. ἕτερος, então, muitas vezes significa outro diferente (Luc 9:29; At 2:4; Rm 7:23; 1Co 14:21; Hb 7:11, 13, 15), mas ἄλλος tem esta ideia de 1Co 15:39, e inúmeras vezes esta distinção é ausente da ideia de ambas as palavras.(Gramática William Carey Taylor. P. 295).

Acompanhemos agora a ocorrência da palavra dialekto. Diferente de glóssais,  dialekto sempre se refere ao idioma ou a língua que qualquer pessoa fala naturalmente. Vejamos os textos:

καὶ γνωστὸν ἐγένετο πᾶσι τοῖς κατοικοῦσιν Ἰερουσαλήμ, ὥστε κληθῆναι τὸ χωρίον ἐκεῖνο τῇ ἰδίᾳ διαλέκτῳ αὐτῶν Ἁκελδαμάχ, τοῦτ᾽ ἔστιν χωρίον αἵματος. (At 1:19 BNT)

e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue. (At 1:19 ARA)

γενομένης δὲ τῆς φωνῆς ταύτης συνῆλθεν τὸ πλῆθος καὶ συνεχύθη, ὅτι ἤκουον εἷς ἕκαστος τῇ ἰδίᾳ διαλέκτῳ λαλούντων αὐτῶν. (At 2:6 BNT)


Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. (At 2:6 ARA)

καὶ πῶς ἡμεῖς ἀκούομεν ἕκαστος τῇ ἰδίᾳ διαλέκτῳ ἡμῶν ἐν ᾗ ἐγεννήθημεν (At 2:8 BNT)

E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? (At 2:8 ARA)

ἐπιτρέψαντος δὲ αὐτοῦ ὁ Παῦλος ἑστὼς ἐπὶ τῶν ἀναβαθμῶν κατέσεισεν τῇ χειρὶ τῷ λαῷ. πολλῆς δὲ σιγῆς γενομένης προσεφώνησεν τῇ Ἑβραΐδι διαλέκτῳ λέγων· (At 21:40 BNT)

Obtida a permissão, Paulo, em pé na escada, fez com a mão sinal ao povo. Fez-se grande silêncio, e ele falou em língua hebraica, dizendo: (At 21:40 ARA)

ἀκούσαντες δὲ ὅτι τῇ Ἑβραΐδι διαλέκτῳ προσεφώνει αὐτοῖς, μᾶλλον παρέσχον ἡσυχίαν. καὶ φησίν· (At 22:2 BNT)

Quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, guardaram ainda maior silêncio. E continuou: (At 22:2 ARA)

πάντων τε καταπεσόντων ἡμῶν εἰς τὴν γῆν ἤκουσα φωνὴν λέγουσαν πρός με τῇ Ἑβραΐδι διαλέκτῳ· Σαοὺλ Σαούλ, τί με διώκεις; σκληρόν σοι πρὸς κέντρα λακτίζειν. (At 26:14 BNT)

E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. (At 26:14 ARA)

Mediante aos fatos até agora apresentados, podemos concluir o seguinte a respeito do que aconteceu no episódio no dia de Pentecostes:

Quando o E. Santo veio sobre os discípulos, eles falaram no que chamamos de línguas estranhas (glóssais), mas que elas chegaram nos ouvidos dos que visitavam Jerusalém no idioma em que eles falavam naturalmente (dialekto), pois entre os que ouviram os discípulos falarem línguas estranhas, estavam também judeus, isto é, pessoas que falavam o idioma hebraico, no entanto eles também ficaram atônitos (At 2:7) por verem e ouvirem judeus como eles, falando hebraico. 

Ficaria um brasileiro atônito por ouvir um outro brasileiro falar o português? tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? (At 2:11 ARA)”. Com certeza no meio da manifestação sobrenatural havia algo diferente para tamanho espanto, pois os discípulos chegaram a ser comparados a bêbados. E pelo menos os pentecostais e simpatizantes sabem que há casos que quando alguém está falando em línguas "estranhas" lembra um embriagado falando, mas que ninguém entende. 

 Vale salientar que foi Lucas, autor inspirado, quem quis usar duas palavras distintas para se referir a duas línguas também distintas. Ele poderia apenas ter usado dialekto para narrar o evento em pentecostes, se porventura as línguas faladas pelo discípulos tivessem sido apenas a línguagem compreensível aos homens, mas não o fez.  E é ainda oportuno lembrar que o “mundo” o qual o império romano governava, era poliglota, mas mesmo assim foi espantoso o tipo de linguagem falada pelos discípulos.
            Entretanto, a crença pentecostal clássica defende que é possível através do poder de Deus, um crente falar em qualquer língua, como francês, alemão e outras, sem que essas estejam acompanhadas das línguas "entranhas". É isso!



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Jesus nasceu com uma natureza pecaminosa?


          

Por não entender a doutrina ortodoxa da União Hipostática, doutrina essa que ensina que Cristo era 100% divino e 100% humano, mas sem pecado, a profetisa e co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Gould White, defendeu que a natureza humana de Cristo era tão pecaminosa quanto a de qualquer outro ser humano. Ela disse o seguinte:

"Em sua humanidade, Cristo participou de nossa natureza pecaminosa, caída. De sua parte humana, Cristo herdou exatamente o que herda todo o filho de Adão — uma natureza pecaminosa." (Estudos Bíblicos, Doutrinas Fundamentais das Escrituras Sagradas, p. 140 -141, grifo nosso).



Diante da afirmação da profetisa adventista, podemos acreditar que Jesus nasceu mesmo com a natureza pecaminosa? 
         Não! Não podemos acreditar em tal afirmação. Não é difícil de entender que tal ensino jamais veio da Bíblia, embora os adventistas tenham defendido que tudo o que ela escreveu foi correto e profeticamente exato: “Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreve foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato”. (Subtilezas Do Erro. p. 35. 1965. CPB).


Bem, no Novo Testamento podemos ver Jesus orando pelos pecadores “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23:34 ARA), mas nunca vemos ele dizendo Pai, perdoa-me. Ora, qualquer pessoa que nasce com a natureza pecaminosa, herdada de Adão devido a sua desobediência no Éden, necessita orar suplicando a Deus por perdão, pois a mesma está totalmente depravada. (Depravação Total. p. 55. EDITORA REFLEXÃO). 
Dizer que Jesus tinha uma natureza pecaminosa é dizer que de maneira alguma Jesus poderia fazer expiação pelos pecadores, pois na realidade quem precisaria primeiramente se arrepender era o Senhor Jesus, se porventura tivesse nascido sob a Depravação Total. Mas o próprio Jesus certa vez desafiou os judeus a provarem que Ele tinha o pecado que só quem tem uma natureza pecaminosa possui (Jo 8:46). Bom, uma das formas simples de elucidar de vez esta questão, é percebendo que na Bíblia Ele nunca aparece recebendo ou fazendo sacrifício expiatório por Si mesmo; mas apenas pelos pecadores (Hb 9: 11-12). Quer dizer, a lei que ordenava expiação até ao sumo sacerdote (Lv 16:3-6; Hb 7:26-27), não tinha autoridade sobre o Grande Sumo Sacerdote uma vez que Jesus foi gerado diretamente do E. Santo (Lc 1:35), e não da conjunção carnal de humanos depravados pelo pecado como no caso de Davi (Sl 51:5). 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

John Stott e F.F. Bruce comentam Lc 23:43 e Ap 20:10



                Não é estranho acharmos os adeptos da teoria do Aniquilacionismo ou do Sono da Alma, citando os já falecidos escritores John Stott e F.F. Bruce, como “reforço” de que essas crenças foram absorvidas por gente de grande fama no meio evangélico. Foi passeando pelas páginas da internet, que achei um artigo onde o autor fez um comentário acerca de um debate ocorrido no programa Vejam Só, na RitTv. O tema do debate era: Por que Jesus disse que ainda não havia subido para o Pai...? (Lc 23:43 e Jo 20.17). 



Agora leiamos o comentário do autor do artigo:  




             Logo após ler esse artigo, fui até a minha singela biblioteca, procurar em obras oficiais, se verdadeiramente John Stott  e F. F. Bruce estariam sendo citados de forma proveitosa pelo defensor do aniquilamento dos salvos. Porém tomei um susto após ver Stott defender que o ex-ladrão da cruz foi imediatamente para a presença de Deus conforme o Senhor Jesus Cristo havia lhe prometido.  O que contrapõe a crença do autor. Vejamos: 

“Jesus lhe respondeu: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”. (Lucas 23.43)
Todos os quatro evangelistas mencionam que três cruzes foram erguidas no Gólgota (“lugar chamado Caveira” [v. 33]) naquela manhã fatídica. Eles deixam claro que Jesus estava na cruz do meio, enquanto os dois ladrões (“criminosos”, de acordo com Lucas) foram crucificados um de cada lado de Jesus.

A princípio os dois ladrões juntaram-se ao coro de ódio a que Jesus foi submetido (Mt 27.44). No entanto, apenas um continuou, lançando-lhe insultos e desafiando-o a salvar a si mesmo e a eles. O segundo ladrão repreendeu o primeiro dizendo: “Você não teme a Deus nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos sendo punidos com justiça… Mas este homem não cometeu nenhum mal” (Lc 23.40-41). Então, voltando-se para Jesus, disse: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino” (v. 42).

Esse reconhecimento da realeza de Jesus é extraordinário. Sem dúvida o ladrão arrependido ouvira os sacerdotes zombando da declaração de Jesus de que era rei de Israel, e provavelmente lera a inscrição sobre a sua cabeça: “Este é Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus”. Certamente também observara a dignidade silenciosa e régia de Jesus. Diante de tudo isso, ele passara a acreditar que Jesus era rei. Ele também ouvira a oração de Jesus por perdão para os seus executores, e sabia que precisava de perdão uma vez que confessara estar sendo punido com justiça.

Jesus respondeu ao ladrão penitente com esta afirmação memorável: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (v. 43). Não houve recriminações. Ele não foi censurado por haver se arrependido somente na décima primeira hora. A autenticidade de seu arrependimento não foi questionada. Jesus simplesmente deu a esse crente arrependido a certeza que ele tanto ansiava ter. Prometeu-lhe não somente a entrada no paraíso, que envolvia a alegria da presença de Cristo, como também uma entrada imediata, naquele mesmo dia. Ele lhe assegurou essas coisas dizendo: “Eu lhe garanto” — a última vez em que usou essa expressão familiar. Imagino que, durante as longas horas de dor que se seguiram, o ladrão perdoado aconchegou o coração e a mente na promessa segura e salvadora de Jesus.” (A Bíblia Toda, o Ano Todo. p. 257, grifo nosso). 

Contudo, mesmo defendendo o que os imortalistas defendem, Stott, nos parece que andava coxeando em dois pensamentos, pois, segundo Norman Geisler, ele defendia também a não existência do homem. O que nos ajuda a mostrar que Stott não havia se decidido em que acreditar:

“Primeiro, dada a crença de Stott de que os ímpios serão aniquilados e não suportarão a separação eterna de Deus, o uso que ele faz desta linguagem bíblica é enganador e mal empregado; ele parece estar confirmando os ensinamentos das Escrituras, mas, na realidade, os está questionando.

Segundo, Stott, de modo significativo, usa equivocadamente a linguagem ao falar da “realidade” da não-existência. A não-existência é nada, e nada não tem realidade — por definição, é a não-realidade. Falar sobre a suposta não-realidade do inferno como algo real e terrível é inexpressivo e sem sentido.


Terceiro, embora Stott declare ser um “evangélico comprometido” (ibid., 315), a sua visão do inferno não é compatível com as declarações das Escrituras. Tampouco ele, por suas próprias palavras, está comprometido com “a ortodoxia tradicional” (ibid., 314-15); além de ser condenada por outros credos, a sua posição foi condenada pelo Quinto Concilio de Latrão da igreja. (A sua própria Igreja Anglicana é uma derivação católica.) As visões aniquilacionistas de Stott não são católicas ortodoxas nem protestantes ortodoxas. (Norman. Teologia Sistemática. , pp,805-806, 816-817. CPAD). 
Fica a pergunta, é proveitoso citar alguém indeciso? 

         Convido-vos agora para lerem como F.F. Bruce interpretou os versículos que para os aniquilacionistas, eles provam sua teoria.

“5) O Quinto selo: O clamor dos mártires (6. 9-11)
v. 9. vi debaixo do altar: João ainda está no céu “em espírito”; o “altar” é portanto o altar de incenso no templo celestial, no qual as orações dos santos são oferecidas a Deus (8.3,4). As almas dos mártires que oraram são adequadamente retratadas como estando debaixo do altar de onde sobem sua orações.
v.10. Soberano (gr. despotes): Sua oração por vindicação é dirigida a Deus, que está no seu trono (cf Lc 18.7). os habitantes da terra: V. comentário de 3:10. v 11. uma veste branca: Um símbolo das suas benção (cf .7.9,13,14). que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número: A perseguição, iniciada em g4 d.C.; precisa completar seu ciclo. Mas, quando toda a história dos mártires for concluída, as orações dos santos no altar caem como juízo sobre a terra (8.5).” (Comentário NVI. p. 2232).

 “ O Diabo, que as enganava foi, lançado no lago de fogo que arde com enxofre. Isso dever ser “o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” de Mt 25:41. As “correntes inquebráveis e o fogo do castigo” que Milton vislumbra como o calabouço de Satanás na sua queda primeva são destinados a ele por João no fim dos tempos. Onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta: Cf 19:20. Os dois prisioneiros anteriores evidentemente ainda estão aí, pois, junto com seu novo companheiro, serão atormentados dia e noite, para todo o sempre. Visto que a besta e o falso profeta são figuras representativas de sistemas, e não de indivíduos, está em vista aqui evidentemente a destruição definitiva do mal". (Ibid p. 2255 ,grifo nosso). Ora, se crermos que a besta, o falso profeta e o diabo são sistemas, logo teremos que discordar dos textos bíblicos que dizem que o diabo é um ser angelical caído.

Vejamos ainda como F.F. Bruce interpretou o “estar com Cristo” dito por Paulo em (Fp 1:23):

“Estar com Cristo, imediatamente após morrer, é a implicação de Paulo. Contra este pensamento O. Cullman nega que o NT apoie a “ideia de que os mortos estejam vivendo antes da época da volta e, assim, gozando já o fruto do cumprimento final das coisas” (The Early Church p. 165). É possível que esses crentes que, quando morreram, estavam com Cristo, estejam esperando a ressurreição, como Paulo enfatiza (cf 3:21); entretanto esse autor não faz justiça suficiente a Paulo.” (Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Filipenses.  p.63).

“3:21/ Quando o Salvador vier, transformará o nosso corpo de humilhação. Em 1Co 15:42-53 há uma declaração mais completa. Quer os crentes tenham morrido, quer ainda estejam vivos por ocasião o segundo advento, deverão passar por uma transformação, a fim de herdar o reino eterno de Deus. Os mortos receberão um “corpo espiritual” que substituirá o “corpo natual” que desintegrou; a mortalidade dos que ainda estiverem vivos “será revestida de imortalidade”. (Ibid . p. 144). 
Vale salientar que os que creem na doutrina bíblica da Imortalidade da Alma acreditam que todos os salvos que estão nesse momento na Presença do Senhor, estão aguardando a ressurreição do corpo.   

 Bom, eu acho complicado afirmar Bruce era adepto do aniquilacionismo, pois em nenhuma das obras oficiais supracitadas ele afirma que o salvo ou o pecador são aniquilados logo após morrerem.  Porém, diz que diabo será atormentado para todo o sempre.


              E por que não recitar mais uma vez John Stott e sua interpretação acerca do mesmo texto em que F.F.Bruce comentou, isto é Ap 20:10?

“ Segundo, quando os mil anos se passarem, Satanás será liberto da prisão por um curto período e enganará as nações novamente. Ou seja, o esforço missionário da igreja será combatido e restringido. Satanás reunirá povos hostis para um último ataque contra a igreja. No entanto, Cristo, o cavaleiro sobre o cavalo branco, impedirá o conflito. Então o dragão será lançado no lago de fogo, onde encontrará as duas bestas e permanecerá para sempre” (Ibid .p. 424, grifo nosso).


         Porém, mas, todavia, entretanto, resolvi complementar esse artigo mostrando que a verdadeira crença da Igreja do Senhor, sempre foi que todo aquele que morre servindo ao Todo-Poderoso, ia imediatamente à Sua Presença.

         Em sua epístola aos crentes de Corinto, Clemente  de Roma os informa que os heróis espirituais, Pedro e Paulo, após sofrerem perseguições, apedrejamento, cárcere, partiram para o lugar de Glória ou Santuário, ou seja, para a Presença de Deus:

“Clemente, por exemplo, fala que Pedro e Paulo partiram diretamente para “o lugar santo”, encontrando ali um grande grupo de mártires e santos “aperfeiçoados na caridade”. (Patrística. p. 352, grifo nosso).

            Policarpo ao escrever aos crentes de Filipos, mostrou que concordava com Clemente, ao dizer que Paulo, Rufo Inácio e  Zózimo, já estão nos seus devidos lugares, isto é, junto ao Senhor:

“ Exorto-vos pois todos a obedecer e exercitar toda a paciência, a que vistes com vossos olhos não somente nos bem-aventurados Inácio, Rufo e Zózimo, mas também em outros dos vossos, e no próprio Paulo e nos demais apóstolos, persuadidos que não correram em vão, mas na fé e na justiça, e que já estão no lugar que lhes é devido, junto ao Senhor, com a qual padeceram”. (História Eclesiástica. p. 72, grifo nosso).

               Inácio foi amigo de Policarpo, conheceu o apóstolo João e foi bispo em Antioquia ao suceder o apóstolo Pedro conforme nos diz Eusébio de Cesaréia:

“Ao mesmo tempo adquiriram notoriedade Papias, bispo da igreja em Hierápolis, Inácio, o homem mais celebre para muitos ainda hoje, segundo a obter a sucessão de Pedro no episcopado de Antioquia.” (História Eclesiática. p. 71).
Inácio ao escrever aos crentes de Trales, mostrou que cria que após sua morte ele continuaria a se sacrificar pelos trálios:
“Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação.”1

               Ora, como alguém que acreditava em uma sã consciência ao chegar à Presença de Deus poderia não crer na imortalidade da alma e não discordar duramente do sono da alma e do aniquilacionismo? Impossível, não é?
Vale ressaltar que Clemente, Policarpo e Inácio foram discípulos diretos dos apóstolos, e se eles defendiam o acesso direto e consciente a Deus, é porque foram instruídos dessa forma, pois esse é o ensino bíblico (Gn 5:24; 2Rs 2:1-11; Lc 23:43; Fp 1:21-23; Ap 6:9). Convenhamos, somente os que não leram ainda a Patrística, advogam que a Igreja Primitiva era adepta da teoria do Aniquilacionismo e do Sono da Alma.  

                                                                     Primeiro a verdade, depois as nossas opiniões sobre ela.

Bibliografia:
STOTT, John. A Bíblia Toda, o Ano Todo. 8ª impressão. 2007. ULTIMATO.

BRUCE,F.F. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Filipenses. VIDA.  
Comentário Bíblico NVI. Org. F. F. Bruce. 1ª edição 2008. 1ª reimpressão 2009. Vida.
KELLY, J.N.D. Patrística. 2009. Vida Nova.
Eusébio de Cesaréia. História Ecleciástica. 2002. Novo Século
1Biblieworks9 –Software.