domingo, 30 de novembro de 2014

Os Pais da Igreja sempre creram que o que ressuscita é tão somente o corpo. / Church Fathers have always believed that what is raised is simply the body.





O Credo dos Apóstolos (c. 150)
O credo diz: “Creio [...] na ressurreição da carne”. O fato de que a igreja cristã tenha sempre confessado a sua crença na ressurreição física de Cristo está expresso nesta frase inconfundivelmente clara.
Podemos dizer, portanto, que toda a igreja primitiva, no Oriente e no Ocidente, igualmente, confessava publicamente a crença na ressurreição da carne. Nos credos ocidentais [...] esta fórmula confessional conservou o seu lugar praticamente sem exceção. Até a Reforma, não existe nenhuma exceção (Schep, NRB, 221).

Justino Mártir (c. 100-c. 165)
O filósofo convertido Justino Mártir foi um dos primeiros grandes apologistas da igreja. Ele não somente usa a expressão “ressurreição da carne”, mas também a designa como referindo-se à carne (ao corpo), e não à alma. Ele diz claramente:
“A ressurreição é uma ressurreição da carne que morre” (ORF, in: Roberts and Donaldson, ANF, 1.298). “Ele até chamou a carne à ressurreição, e promete a ela a vida eterna. Pois nas passagens em que Ele p rom e te salvar o h om em , ali Ele faz a prome ssa à carne” (ibid., 297).
Irineu (c. 125-c. 202)
Ressuscitar a carne não representa um problema para Deus. Uma vez que o Senhor tem poder de infundir vida no que desejar, e uma vez que a carne pode ser vivificada, o que resta para evitar a sua participação na incorrupção, que é uma vida abençoada e eterna, concedida por Deus? (AH, 3.3, in: ibid., 530).

Tertuliano (c. 155-c. 225)
Com respeito a esta regra de fé [...] vocês devem saber que a crença prescreve que existe um único Deus e que Ele é o Criador do mundo, que criou todas as coisas do nada, por meio da sua palavra, que Ele já existia antes de tudo e todos [...] e que, por fim, desceu pelo Espírito e pelo Poder do Pai à virgem Maria, e tornou-se carne no seu útero [...] tendo sido crucificado, ressuscitou novamente ao terceiro dia [...] e voltará, com glória, para levar os santos para desfrutarem a vida eterna e as promessas celestiais, e condenar os ímpios ao fogo eterno, depois que tiver tido lugar a ressurreição dos dois tipos de pessoas, juntamente com a restauração da carne destes (PAH , XIII, in: ibid., 3.249).
Atenágoras (final do século II)
[O fato de que] o seu poder é suficiente para ressuscitar os defuntos é demonstrado pela criação destes mesmos corpos. Pois se, quando eles não existiam, Ele criou, na sua primeira formação, os corpos de homens e seus elementos originais, quando eles forem dissolvidos, Ele os ressuscitará, de qualquer maneira que possa haver, com a mesma facilidade, pois também isto é igualmente possível para Ele (RD , 3, in: ibid., 2.150).

Rufino (345-410)

Rufino, um bispo latino, escreveu a obra “Commentary on the Apostles’ Creed” (Comentário sobre o Credo dos apóstolos), em que declarou que até mesmo as partículas perdidas do corpo morto serão restauradas no corpo ressurrecto. Em outra declaração encontrada em um prefácio à obra “Defense of Origen” (Defesa de Orígenes), de Panfílio, Rufino enfatizou a identidade do corpo de Cristo com a sua carne:
Nós cremos que é esta mesma carne na qual vivemos agora que irá ressuscitar outra vez, não um tipo de carne em vez de outro, nem outro corpo que não seja o corpo desta carne [...] E uma absurda invenção de maldade pensar que o corpo humano é diferente da carne (citado por Schep, NRB, 225).

Itard Víctor Camboim De Lima. 30/11/2014.


(NORMAN, Geisler. Teologia Sistemática vol 2. p, 716-717).  

A Ressurreição dos Incrédulos / The Resurrection of Unbelievers






A morte será revertida para todos os seres humanos. Todos, salvos e não-salvos, serão restaurados no seu corpo pré-ressurreição, e não morrerão (se tornarão imortais). As referências acima deixam evidente que a segunda ressurreição é a dos incrédulos. Novamente, esta é chamada, entre outras coisas, de ressurreição “para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2); de ressurreição “dos que fizeram o mal” e serão ressuscitados para “condenação” (Jo 5.29); e de ressurreição dos “outros mortos” (At 24:15, Ap 20.5). Qualquer que seja o nome, ela é claramente (1) uma segunda ressurreição, (2) depois da ressurreição dos crentes, e (3) a ressurreição daqueles que estão perdidos para sempre'6. Sobre isto, João escreveu: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não loi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.14,15).

A Ocasião da Ressurreição dos Incrédulos

Como já foi estabelecido, a segunda ressurreição é separada da primeira por um período de mil anos, durante os quais os crentes irão reinar com Cristo (Ap 20.4-6). Um período de tempo interveniente entre as duas ressurreições é permitido e também está implícito em outros textos.
Primeiro, a ressurreição dos crentes dá-se “dentre os mortos” (Cl 1.18), dando a entender que outros corpos são deixados nos sepulcros quando ela ocorre.
Segundo, João fala do período das duas ressurreições como uma “hora” (isto é, um longo período de tempo), no entanto a primeira ressurreição demora apenas “um abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.52). Assim, o restante da “hora” deve transcorrer antes da segunda ressurreição.
Terceiro,  João declara enfaticamente (seis vezes) que haverá mil anos entre a “primeira ressurreição” e a segunda, quando os “outros mortos” ressuscitam (cf. Ap 20.3-6).

A Natureza do Corpo Ressurreto dos Incrédulos

Embora a palavra imortal não seja usada em referência ao corpo ressurreto dos incrédulos — uma vez que imortal contém conotações de uma qualidade positiva da vida eterna reservada somente para os salvos—, existem muitas razões para crer que os não salvos também irão possuir corpos físicos que viverão para sempre.

Primeiro, a segunda ressurreição é listada diversas vezes em conexão com a primeira, que é, sem dúvida, uma ressurreição em um corpo físico imortal. Uma vez que os dois lados desta questão concordam que a segunda ressurreição é física, consequentemente ela também se dá em um corpo imortal.

Segundo, em Apocalipse 20.5, os perdidos são designados como “os outros mortos” que “reviverão”, a mesma palavra usada sobre os da primeira ressurreição (cf. vv. 4,5), que fisicamente sairão dentre os mortos.

Terceiro,  Jesus disse que tanto o corpo quanto a alma dos incrédulos seriam punidos no inferno (Mt 10.28). Uma vez que a mesma palavra é usada tanto para o corpo quanto para a alma com respeito ao inferno, uma vez que o inferno é “eterno” (Mt 25.41; cf. 2 Ts 1.7-9), e uma vez que nós sabemos que a alma não será aniquilada81, o corpo dos incrédulos também viverá eternamente.


Quarto, e finalmente, uma vez que o corpo é parte da imagem de Deus (Gn 1.27), mesmo nos incrédulos (Gn 9.6; Tg 3.9), se Deus não o ressuscitasse para sempre, Ele estaria, na realidade, concedendo a vitória sobre ele ao diabo. No entanto, a sua Palavra declara que Cristo irá reinar até ter derrotado a morte (1 Co 15.26), e a menos que a morte física seja revertida para todas as pessoas, a morte não será completamente derrotada. De igual maneira, por mais desfigurada e perdida que a imagem de Deus possa estar nos incrédulos, até mesmo os seus corpos serão restaurados à vida, de modo que possam permanecer no destino que escolheram em vida.


Itard Víctor Camboim De Lima 30/11/2014 

Fonte:  (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol 2. p, 705-706). 


Uma Visão Pré-Cristã sobre o Inferno / A Pre-Christian View of Hell








Platão (c. 427-347 a.C.) mantinha-se fiel à doutrina do castigo eterno:

Essas advertências foram feitas àqueles que foram culpados dos crimes mais terríveis e cujos delitos estão além da cura, e eles não são mais capazes de recebê-la e de se beneficiar dela, porque são incuráveis. Mas serão beneficiados aqueles que observarem o sofrimento que os culpados enfrentarão por toda a eternidade com as maiores e mais dolorosas e terríveis torturas por causa dos seus delitos, os quais são mantidos como exemplo na prisão do Hades, como um espetáculo e uma advertência a quaisquer malfeitores que, de tempos em tempos, são candidatos à mesma condenação (G, 525c, ênfase acrescentada).


Crença Judaica Intertestamentária sobre o Inferno

Na era entre o Antigo e o Novo Testamento10, fontes religiosas judaicas faziam referência ao inferno . O autor de 4 Macabeus disse:
Por causa do cruel assassinato que cometestes irás sofrer eternamente nas mãos da ustiça divina um adequado castigo pelo fogo [...] Por tua impiedade e crueldade irás suportar tormentos até o fim [...] [em um] destino eterno. A justiça divina te entrega a um fogo eterno e rápido, e aos tormentos que não te abandonarão por toda eternidade. Uma grande luta e um grande perigo para a alma aguardam em eterno tormento aqueles que transgridem os mandamentos de Deus (9.9; 10.11,15; 12.12; 13.15).

Palavras de Flávio Josefo sobre o Inferno

Semelhantes às afirmações feitas por Cristo12, o historiador judeu Josefo (c. 37-100), escreveu um “Discurso aos Gregos a Respeito do Hades”.
Hades é um lugar do mundo que não foi regularmente terminado; é uma região subterrânea onde a luz desse mundo não brilha; por causa dessas circunstâncias, pois nesse lugar a luz não brilha, não se pode lá estar a não ser em perpétua escuridão. Essa região foi destinada para dar custódia às almas, das quais os anjos foram nomeados guardiões, e a elas eles distribuem castigos temporários, apropriados às suas maneiras e ao seu comportamento.
Nessa região, existe um certo lugar separado, como se fosse um lago de fogo perpétuo, onde supomos que ninguém tenha sido lançado até agora, mas que está preparado para um dia pré-determinado por Deus no qual um j usto castigo será aplicado merecidamente a todos os homens [...] [Eles receberão] esse castigo eterno por terem dado causa à corrupção, enquanto os justos irão receber um reino incorruptível e eterno. Eles estarão então confinados no Hades, mas não no mesmo lugar onde os injustos estarão confinados [...] [Deus permite] um castigo eterno aos amantes de palavras iníquas. A eles pertence esse fogo perpétuo e sem fim, um certo bicho ardente que nunca morre e nem destrói o corpo, mas que continua a emergir desse corpo para que ele nunca cesse de lamentar.

 (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. vol 2. p, 753-768).

Refutando o artigo do Lucas Banzoli "Os Pais da Igreja e a Imortalidade da Alma"

                      


                                                           O ARTIGO COMPLETO ESTÁ  Aqui 



                                                               LEIA TAMBÉM Aqui 

Segue o link do artigo: http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/os-pais-da-igreja-e-imortalidade-da-alma.html


Antes de ler a minha refutação, peço aos leitores que leia primeiramente o que está contido no outro artigo acessando o link aí exposto.



Os Pais da igreja criam na imortalidade da alma e no sofrimento eterno:
                    


Uma breve história da heresia conhecida como Aniquilacionismo ou Imortalidade Condicional:


O aniquilacionismo foi adotado por Arnobius (final do século IV), mas não se tornou popular antes do século XIX, quando foi propagado pelo congregacionalista Edward White, e depois por Le Roy Froom (1874-1970), da Igreja Adventista do Sétimo Dia; as Testemunhas de Jeová também são aniquilacionistas.
Na metade do século XX, Harold Guillebaud (1882-1964) e Basil Atkinson (1895-?) defenderam o condicionalismo, e alguns outros evangélicos, como John Wenham (nascido 1913), John Stott, e Clark Pinnock (nascido 1920), adotaram esta visão.
O aniquilacionismo foi condenado como herege pelo Sínodo de Constantinopla, em 543, pelo Segundo Concilio de Constantinopla, em 553, e pelo Quinto Concilio de Latrão, em 1513. A doutrina ortodoxa tradicional do inferno como a punição eterna consciente dos ímpios foi sustentada pela maioria dos grandes Pais e teólogos da igreja, incluindo Tertuliano (c. 155-c. 225), Agostinho (354-430), Anselmo (1033-1109), Tomás de Aquino (1225-1274), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564), Jonathan Edwards (1703-1758), Charles Hodge (1797-1878), William G. T. Shedd (1820-1894)9, e B. B. Warfield (1851-1921). 

Inácio de Antioquia (falecido c. 110 d. C.)
Se aqueles que corrompem meras famílias humanas são condenados à morte, muito mais merecedores de um castigo eterno são aqueles que se dedicam a corromper a Igreja de Cristo, pela qual o Senhor Jesus, o Unigênito Filho de Deus, sofreu a cruz e se submeteu à morte! Qualquer um que, “engordando”, e se “tornando grosseiro”, desprezar a doutrina do Senhor, irá para o inferno (EIP, 4).
Irmãos, não se deixem enganar. Se algum homem seguir aquele que se aparta da verdade, não irá herdar o reino de Deus; e se algum homem não se afastar do pregador da falsidade, será condenado ao inferno (EIP, 4).

Policarpo (final do século II)
Tu me ameaçaste com um fogo que queimou durante uma hora, e que pouco depois se extinguiu; mas ignoras o fogo do futuro juízo e do castigo eterno, reservado para os infiéis (EECS, 11).

Irineu (c. 125-c. 202)
A separação de Deus consiste na perda de todos os benefícios que Ele reservou [...] Agora, as boas coisas são eternas e nunca terão fim perante Deus; portanto, a sua perda também é eterna e nunca termina (AH, 4.39.4).

Tertuliano (c. 155-c. 225)
Ó, vós, pagãos, que têm e merecem a nossa piedade, vede que colocamos perante vós a promessa que o nosso sistema sagrado está oferecendo. Ele garante vida àquele que o segue e obedece; por outro lado, ele ameaça com o castigo eterno e um fogo perpétuo aqueles que são profanos e hostis. A ressurreição dos mortos é igualmente pregada a ambas as classes (AN, 1.1.7).
Mas os profanos, e todos aqueles que não são verdadeiros adoradores de Deus, serão consignados ao castigo do fogo perpétuo, esse fogo que, pela sua própria natureza, na verdade ministra diretamente à incorruptibilidade do corpo que os condenados terão (A. 1.48).
Se, portanto, alguém supuser que a destruição da alma e da carne no inferno leve ao extermínio total das duas essências e não ao seu tratamento penal (como se devessem ser consumidas, e não castigadas), é preciso que esse alguém se lembre de que o fogo do inferno é eterno, e foi expressamente anunciado como um castigo perpétuo. E que ele então admita que é devido a essa circunstância que essa “morte” perpétua é mais formidável que um simples assassinato humano, que é apenas temporal (ORF, 35).

Justino Mártir (c. 100-c. 165)
Isso [...] é o que esperamos e aprendemos de Cristo, e ensinamos. E Platão, da mesma maneira, costumava dizer que Rhadamanthus e Minos iriam castigar os iníquos que estivessem à sua frente; e nós dizemos que a mesma coisa será feita, mas através das mãos de Cristo e sobre os iníquos, no mesmo corpo unido novamente ao seu espírito que então sofrerá um castigo eterno; e não será somente, como disse Platão, por um período de mil anos (FAJ, 8).
Mas, como esta sensação permanece para todos aqueles que já viveram, e a punição eterna está reservada (para os iníquos), certifique-se de não deixar de se convencer por negligência, conservando, como sua crença, que essas coisas são verdadeiras (ibid., 18).

Da Apologia de Justino, podemos reunir uma substancial lista de versos que dão fundamento ao castigo eterno para os pecadores (citados em Froom, CFF, 1.819):
Sofrer um castigo eterno (op. cit., 8).
Ao eterno castigo do fogo (12).
Sofrer o castigo do fogo eterno (17).
O castigo eterno foi assegurado (18).
Haverá a consumação de todos [os pecadores] (20).
São castigados com o fogo eterno (21).
Causa o castigo eterno pelas chamas (45).
Castigados com o fogo eterno (SA J, 1).
No fogo eterno sofrerão seu justo castigo e punição (ibid., 8).
Os iníquos serão punidos no togo eterno (ibid.).

Os Concílios da Igreja
Depois de já ter sido condenada pelo Segundo Concilio de Constantinopla (553), a negação do inferno foi condenada pelo Quinto Conselho de Latrão, em 1513 (veja Cross, ODCC, 328). O último dos nove anátemas (543) do Imperador Justiniano (c. 483-565) contra Orígenes (c. 185-c. 254), diz o seguinte: “Se alguém disser ou pensar que a punição dos demônios e dos homens ímpios é apenas temporária, e que um dia terminará [...] seja anátema” (em Roberts and Donaldson, ANF, Vol. 14)79.

Os Pais Medievais

Os “sábios da idade Média”, Agostinho e Tomás de Aquino, comentaram a doutrina ortodoxa do inferno. Tomás de Aquino, em especial, analisou racionalmente o problema do sofrimento eterno.


Crisóstomo (347-407)

“[...] nem os corpos dos perdidos, que se tornarão imortais, nem suas almas experimentarão o fim de seus sofrimentos. Nem o tempo, nem a amizade, nem a esperança, nem a expectativa da morte, nem mesmo o ato de presenciar as outras almas infelizes partilhando de sua triste sorte aliviará seus sofrimentos.” (Patrística, p. 368).  

Agostinho (354-430)
Se a alma vive num castigo eterno, pelo qual também todos os espíritos impuros serão atormentados, isso representa mais uma morte eterna do que uma vida eterna. Pois não existe morte maior ou pior do que quando ela nunca termina. Mas como a alma — que pela sua própria natureza foi criada imortal — não pode existir sem alguma forma de vida, sua morte derradeira será uma alienação da vida de Deus, em uma eternidade de punição (CG, 6.12).
Se ambos os destinos são “eternos”, devemos, então, entender a ambos ou como sendo permanentes, e que por fim irão terminar, ou que serão ambos perpétuos. Pois eles estão correlacionados; de um lado, o castigo eterno, e de outro, a vida eterna. E falar, num único e mesmo sentido, que a vida eterna será interminável, mas que o castigo eterno terá fim, representa um absurdo. Dessa forma, assim como a vida eterna dos anjos será perpétua, também o castigo eterno daqueles que foram condenados não terá fim (ibid., 21.23).


Anselmo (1033-1109)
Consequentemente, assim como a alma gentil irá se regozijar na eterna recompensa, da mesma maneira a alma desdenhosa irá se lamentar em um eterno castigo. E, assim com a primeira irá experimentar uma imutável suficiência, a última irá experimentar uma inconsolável indigência (M, 71).

Tomás de Aquino (1225-1274)
Também devemos saber que a condição dos condenados será exatamente o contrário da condição dos abençoados. Seu estado será de castigo eterno, o que denota uma quádrupla e terrível condição. O corpo dos condenados não será brilhante: “O seu rosto será rosto flamejante” [Is 13.8]. Da mesma maneira, eles serão passíveis porque nunca irão deteriorar e, embora queimem eternamente no fogo, nunca serão consumidos. (CISTA, 62).
O sofrimento do castigo eterno não se opõe, de maneira alguma, à justiça divina. Mesmo nas leis feitas pelo homem, o castigo não precisa corresponder necessariamente à ofensa em termos de tempo. [Por exemplo, alguém pode cometer um assassinato num minuto, mas merecer a prisão perpétua pelo crime cometido] (CT, 183).

Os Líderes da Reforma


Martinho Lutero (1483-1546)
A fornalha ardente é acesa simplesmente pela insuportável aparição de Deus e dura eternamente. Pois o Dia do Juízo Final não irá durar apenas um momento, mas irá permanecer através da eternidade e, portanto, nunca irá terminar. Constantemente os pecadores serão julgados, constantemente eles irão sofrer dor e constantemente haverá uma fornalha ardente, isto é, eles serão torturados por uma suprema aflição e angústia (WLS, 2.621).

João Calvino (1509-1564)
Tais maneiras de expressão estão apropriadas à nossa capacidade de melhor entender como é miserável e calamitosa a situação daqueles que não têm Cristo. Pois se não tivesse sido dito em termos claros que a ira Divina, a vingança e a condenação eterna estão sobre os não-salvos, não teríamos a misericórdia de Deus, seriamos insensíveis à nossa desgraça, e não estaríamos dispostos a valorizar a bênção da salvação (ICR , 2.16.2).

Quão vil é o erro de converter um espírito, formado à imagem de Deus, em um sopro evanescente, que anima o corpo somente nesta vida moribunda, e reduzir o templo do Espírito Santo a nada. Em resumo, é algo vil roubar o distintivo da imortalidade daquela parte de nós mesmos na qual a divindade é mais brilhante, e as marcas da imortalidade são mais conspícuas, tornando a condição do corpo melhor e mais excelente do que a da alma (ICR, 3.25.6).

Se a alma não deve sobreviver sem o corpo, como ela poderia estar presente com o Senhor, estando separada do corpo? Mas um apóstolo remove toda a dúvida quando diz que nós chegamos “aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23) [...] E se a alma, quando desprovida do corpo, não retivesse a sua essência, e não fosse capaz de receber em si a glória que é uma grande bem-aventurança, o nosso Salvador não teria dito ao salteador: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43) (ibid.).

Os Mestres da Pós-Reforma

Jacó Armínio (1560-1609)
A origem [da alma] [...] é a partir do nada, criada por infusão, e infundida por criação, com um corpo sendo devidamente preparado para recebê-la, a fim de que possa se moldar à forma da matéria, e, depois de unida ao corpo por um elo nativo, possa também, formar uma unidade com ele. [...]  A substância [da alma] [...] é simples, imaterial e imortal. Simples, ao meu ver, não no que diz respeito a Deus; pois ela consiste de ato e poder (ou capacidade), de ser e essência, de sujeito e acidentes; mas é simples no que diz respeito a coisas materiais e componentes.
Ela é imaterial, porque pode subsistir por si mesma, e, ao se separar do corpo, pode operar por si própria. Ela é imortal, na verdade, não por si própria, mas pela graça sustentadora de Deus. ( W JA , 11.26.63)

John Wesley (1703-1791)
Considere algumas circunstâncias que irão acompanhar o julgamento de todos. A primeira é a execução da sentença pronunciada sobre os bons e os maus: “Estes irão partir para um castigo eterno, e os justos para a vida eterna”. Deve-se observar que a mesma palavra é usada tanto na primeira como na segunda oração: segue-se que o castigo dura para sempre, ou a recompensa também terá um fim. Não, jamais! A recompensa na eternidade só terminaria se o próprio Deus pudesse ter um fim, ou se a sua misericórdia e a sua verdade pudessem falhar. “Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai, e beberão eternamente da corrente das delícias que estão àmão direita de Deus” (WJW, 5.15.3.1).
Nesse ínterim, os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus. Eles, “por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder”. Eles serão “lançados no ardente lago de fogo e de enxofre”, originalmente “preparado para o diabo e seus anjos”; onde irão ranger os dentes com angústia e dor, eles amaldiçoarão ao seu Deus, olhando para cima. Lá os cães do inferno — o orgulho, a malícia, a vingança, a ira, o horror, o desespero — irão devorá-los continuamente. Lá “a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite” (ibid.).
Sua alma é o próprio exemplo do inferno, cheia de tormentos como também de iniqüidades. Ele já tem em si o bicho que nunca morre, e está se apressando em direção ao fogo que nunca se apaga. Só falta o grande precipício ser instalado entre este homem pecador e o céu (ibid., 7.139).

Charles Spurgeon (1834-1892)
Não tem mais esperança; não conhece nenhuma forma de escapar; não consegue imaginar nenhuma libertação; deseja a morte, mas a morte é um inimigo que não pode estar ali; almeja que a morte possa engoli-lo, mas essa morte eterna é pior que a sua aniquilação. (SSC, 1.52).
Quando a eternidade tiver completado um número absolutamente grande de seus ciclos eternos, ele ainda estará morto. Nunca conhecerá o fim, pois a eternidade não pode ser excluída, a não ser na própria eternidade. No entanto, a alma ainda vê escrita sobre a sua cabeça a frase “Estás condenado para sempre”. Ouve uivos que serão perpétuos; vê chamas que não se apagarão; sente dores que não podem ser mitigadas; ouve uma sentença que não soa como o trovejar da terra e que logo será abafada— mas esta à frente, à frente, à frente, abalando os ecos da eternidade, fazendo com que milhares de anos se agitem novamente com o horrível trovejar do seu terrível som — “Aparte-se! Aparte-se! Aparte-se! Maldito!” Essa é a morte eterna (ibid.).
                                      

Itard Víctor Camboim De Lima 30/11/2014

Fonte: (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. vol 2. pp, 32, 769-779,805-806 ). CPAD. 
 KELLY, J.N.D. Patrística. Editora Vida Nova. 

O estado entre a morte e a ressurreição ,segundo Norman Geisler / The state between death and the resurrection, according to Norman Geisler

                                
A BASE HISTÓRICA PARA A SOBREVIVÊNCIA CONSCIENTE                                             DA ALMA NO ESTADO INTERMEDIÁRIO




“Irineu (c. 125-c. 202)
O corpo morre e é decomposto, mas não a alma, ou o espírito. Pois morrer é perder força vital, e tornar-se, consequentemente, sem fôlego, inanimado e sem movimentos, e decompor-se naqueles componentes dos quais também se originou a sua existência. Mas este evento não acontece com a alma, pois ela é o sopro da vida; nem com o espírito, pois o espírito é simples e não composto, de modo que não pode ser decomposto, e ele é a vida daqueles que o recebem (AH, 5.7.1).
Como o Senhor “se afastou no meio da sombra da morte”, onde estavam as almas dos mortos, e, contudo, posteriormente, Ele ressuscitou no corpo, e depois da ressurreição foi levado ao céu, fica claro que as almas dos seus discípulos também [...] entrarão no lugar invisível que lhes foi destinado por Deus, e ali permanecerão até a ressurreição, esperando por ela; então, recebendo os seus corpos, e ressuscitando em sua totalidade, isto é, de modo corpóreo, assim como o Senhor ressuscitou, eles assim irão à presença de Deus” (ibid., 5.31.2).

Justino Mártir (c. 100-c. 165)
Uma vez que a sensação continua para todos os que já viveram, e a punição eterna está armazenada (isto é, para os ímpios), tome cuidado para não negligenciar ser convencido, e agarre-se à sua fé de que estas coisas são verdadeiras (FA, 18).
Os ímpios, nos mesmos corpos, se unirão outra vez com seus espíritos que agora deverão enfrentar a eterna punição; e não somente, como disse Platão, por um período de mil anos (ibid., 8).

Atenágoras (final do século II)
Nós somos persuadidos de que, quando deixarmos esta vida, teremos outra vida, melhor do que esta, e celestial, não terrena (uma vez que habitaremos perto de Deus, e com Deus, livres de todas as alterações ou sofrimentos na alma, não como carne, ainda que tenhamos carne, mas como espíritos celestiais); não cairemos com os demais, numa vida pior e no fogo; pois Deus não nos fez como ovelhas ou como animais de carga, uma mera obra secundária. Jamais pereceremos, nem seremos aniquilados (PC, 31).

Orígenes (c. 185-c. 254)
O ensinamento apostólico é que a alma, tendo uma essência e vida própria, depois da sua partida deste mundo será recompensada, segundo o seu merecimento, sendo destinada a obter uma herança de vida eterna e bênção, se as suas ações o merecerem, ou será entregue ao fogo eterno e à punição, se a culpa de seus crimes for resumida a isto. E, além disto, haverá um tempo de ressurreição dos mortos, quando este corpo, que agora está semeado “em corrupção, ressuscitará em incorrupção”, e aquele que está semeado "em ignomínia, ressuscitará em glória” (DP, prefácio).


Epitáfio de Catacumba do Século III
“Alexandre não está morto, mas vive entre as estrelas, e o seu corpo descansa nesta sepultura” (citação em Schaff, CC, 7.86).

Metódio (c. 260-311)
E a carne que morre; a alma é imortal. Assim, se a alma é imortal, e o corpo for o cadáver, aqueles que dizem que existe uma ressurreição, mas não na carne, negam qualquer ressurreição; porque não é o que permanece que fica em pé, mas o que caiu e está deitado que é estabelecido; de acordo com o que está escrito: “Aquele que cai não se levanta outra vez ? E aquele que se desvia não retorna?” (DR, 1.7).

João de Damasco (676-754)
Novamente [Deus disse] a Moisés: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó: Deus não é Deus dos mortos (isto é, aqueles que estão mortos e já não existirão), mas dos vivos, cujas almas realmente vivem em sua mão, mas cujos corpos retornarão à vida por meio da ressurreição (EEOF, 4.27).

Tomás de Aquino (1225-1274)
“Foi para o bem da alma que ela foi unida a um corpo [...] No entanto, é possível que ela exista separadamente do corpo” (ST, 1.89.1).

Martinho Lutero (1483-1546)
“No intervalo [entre a morte e a ressurreição], a alma não dorme, mas está desperta e desfruta da visão de anjos e de Deus, e conversa com eles” (LW, 25.32).

João Calvino (1509-1564)
Quão vil é o erro de converter um espírito, formado à imagem de Deus, em um sopro evanescente, que anima o corpo somente nesta vida moribunda, e reduzir o templo do Espírito Santo a nada. Em resumo, é algo vil roubar o distintivo da imortalidade daquela parte de nós mesmos na qual a divindade é mais brilhante, e as marcas da imortalidade são mais conspícuas, tornando a condição do corpo melhor e mais excelente do que a da alma (ICR, 3.25.6).
Se a alma não deve sobreviver sem o corpo, como ela poderia estar presente com o Senhor, estando separada do corpo? Mas um apóstolo remove toda a dúvida quando diz que nós chegamos “aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23) [...] E se a alma, quando desprovida do corpo, não retivesse a sua essência, e não fosse capaz de receber em si a glória que é uma grande bem-aventurança, o nosso Salvador não teria dito ao salteador: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43) (ibid.).

“Jacó Armínio (1560-1609)
A origem [da alma] [...] é a partir do nada, criada por infusão, e infundida por criação, com um corpo sendo devidamente preparado para recebê-la, a fim de que possa se moldar à forma da matéria, e, depois de unida ao corpo por um elo nativo, possa também, formar uma unidade com ele. [...]  A substância [da alma] [...] é simples, imaterial e imortal. Simples, ao meu ver, não no que diz respeito a Deus; pois ela consiste de ato e poder (ou capacidade), de ser e essência, de sujeito e acidentes; mas é simples no que diz respeito a coisas materiais e componentes.
Ela é imaterial, porque pode subsistir por si mesma, e, ao se separar do corpo, pode operar por si própria. Ela é imortal, na verdade, não por si própria, mas pela graça sustentadora de Deus. ( W JA , 11.26.63) “

A Confissão de Fé de Westminster (1648)
Os corpos dos homens, depois da morte, retornam ao pó, e veem corrupção: mas as suas almas, que não morrem, nem dormem, tendo uma subsistência imortal, retornam imediatamente ao Deus que lhes deu esta subsistência; as almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas em santidade, são recebidas nos mais altos céus, onde contemplam o rosto de Deus em luz e glória, esperando a completa redenção de seus corpos. E as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormento e completa escuridão, reservadas para o juízo do grande dia (30.2.1).

Jonathan Edwards (1703-1758)
As almas dos verdadeiros santos, quando eles deixam seus corpos na morte, partem para estar com Cristo [...] Elas não ficam reservadas em algum lugar diferente do mais alto céu; um lugar de descanso, onde estão guardadas até o dia do juízo, como imaginam alguns [...] mas vão diretamente ao céu propriamente dito (“FSDO”, in: WJE, 3).

Charles Spurgeon (1834-1892)
A luz da natureza é suficiente para nos dizer que a alma é imortal, de modo que o infiel que duvida é um tolo pior até mesmo do que um pagão, pois, antes que a revelação fosse feita, a tinha descoberto — existem alguns lampejos de sabedoria nos homens de entendimento que ensinam que a alma é algo tão maravilhoso que deve ser eterna (SSC, 66).” (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol 2 pp. 32; 693-696).




Inúmeras passagens bíblicas ensinam que a alma sobrevive à morte em uma condição desligada do corpo. Entre elas, estão as seguintes.
Gênesis 25.8
O Senhor disse a Abrão que ele seria “congregado ao seu povo”. Ele foi sepultado em uma cova específica — “velho e farto de dias”. A expressão em itálico significa mais do que simplesmente “ir para a sepultura”:
(1) O corpo retorna ao pó — a alma é “congregada” às pessoas queridas desta que faleceram.
(2) Deus disse que ele iria a um lugar de “paz”.
(3) Jesus chamou de “seio de Abraão” (Lc 16.22) o lugar para onde ele foi, um lugar de alegria consciente.
(4) “Congregado” implica em uma reunião de espíritos, não meramente uma desintegração do corpo (como seria o caso com somente “ir à sepultura”).
(5) Isto também aconteceu no momento da morte de Jacó; Jacó ainda estava na cama naquela ocasião, de modo que as palavras de Gênesis 49.33 não poderiam referir-se ao sepultamento do seu corpo: “Acabando, pois, Jacó de dar mandamentos a seus filhos, encolheu os seus pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo”


Gênesis 35.18
“E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), [Raquel] chamou o seu nome Benoni; mas seu pai o chamou Benjamim”. A sugestão é de que a sua alma estava  partindo para algum outro lugar; de outra maneira, a narrativa teria dito que a sua alma estava morrendo, ou sendo destruída. Novamente, o ato de a alma deixar o corpo é chamado de morte. Este momento de morte real deve ser distinguido da morte legal (ou clinica), que é determinada pelos índices do funcionamento orgânico. Uma pessoa pode ou não estar realmente morta na ausência de índices consideráveis.
As assim chamadas “experiências de quase-morte” (em inglês, “near-death experiences” [NDEs]) — em que a alma supostamente deixa o corpo, tem um aparente encontro com o outro mundo, e então retorna ao seu corpo aqui — não são verdadeiras experiências de morte. Quando a alma realmente deixa o corpo, a pessoa está morta, e se a sua alma retorna, a pessoa ressuscita. Muitas pessoas que afirmam ter tido tais experiências encontraram exemplos e ensinamentos contrários às Escrituras, e Deus não realizaria (na realidade, não poderia realizar) um milagre (por exemplo, uma ressurreição) que confirmasse qualquer coisa contrária à sua Palavra. Consequentemente, concluímos que tais experiências são puramente psicológicas ou demoníacas.


Salmos 16.10,11
“Não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente”. Aqui Davi fala de uma alegria consciente na presença de Deus depois da morte; no entanto, a ressurreição de Cristo, que ele antevê ( “Santo”, cf. At 2.26,27), não ocorreu durante outro milênio. Na realidade, a ressurreição final é descrita, em outras passagens, como tendo lugar nos últimos dias (Jo 11.24; cf. Dn 12.2). Em conformidade com isto, a alma deve estar em felicidade consciente antes de reunir-se com o corpo, pois ela deverá ter felicidade “eterna” na presença de Deus depois da morte.


Eclesiastes 3.21
Salomão escreveu: “Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra?”. A implicação é de que, enquanto o espírito de um animal perece com o seu corpo, o espírito humano sobrevive à morte (vejaEc 12.5-7, em seguida).
Eclesiastes 12.5-7 “ O homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; [lembrese dEle] antes que [...] o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Aqui, novamente, o espírito existe depois da morte, na presença de Deus, e vive com Ele para sempre; somente o corpo retorna à terra da qual veio (Gn 2.7; cf. SI 104.29).


Mateus 22.31,32
“E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”. Uma vez que Abraão ainda não tinha ressuscitado, mas foi mencionado como “vivo”, Jesus deve estar querendo dizer que a sua alma está viva, entre a morte e a ressurreição.


Lucas 16.22,23
“O mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio”. Esta passagem retrata não somente a felicidade consciente das almas salvas e desencarnadas, mas também o lamento consciente das não-salvas14. Observe que os nomes verdadeiros (como Lázaro) jamais são usados em parábolas, e as parábolas são normalmente introduzidas, como tais, por nome (por exemplo, cf. Mt 13.3).

Lucas 23.43
“E disse-lhe [ao salteador arrependido] Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”.

O corpo do homem estava na sepultura, mais tarde, naquele mesmo dia, mas a sua alma estava com Cristo no paraíso, que Paulo descreveu (em 2 Co 12.1-4) como um lugar de felicidade surpreendente, indescritível e inexprimível — o “terceiro céu”, na presença do próprio Deus.
Não existe justificativa para o fato de que a tradução equivocada da versão das Testemunhas de Jeová seja “Em verdade te digo hoje, que estarás comigo no Paraíso [depois da ressurreição]”. Praticamente todas as traduções aceitáveis rejeitam esta interpretação, e por bons motivos:

(1) Faz mais sentido que a promessa de Jesus se cumprisse naquele mesmo dia, e não em um futuro distante.

(2) A palavra “hoje” (gr. semeron) é usada onze vezes no Evangelho de Lucas e nove vezes no livro de Atos, significando o cumprimento do plano de Deus no presente.

(3) O cumprimento no mesmo dia combina com outra frase que Jesus proferiu sobre a cruz — “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” —, que implica em uma felicidade consciente com o Pai.

(4) O cumprimento no mesmo dia é coerente com a referência que Jesus faz a um estado intermediário imediatamente após a morte, em Lucas 16.22-24.

Lucas 23.46
“Clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou”. Novamente, as palavras de Jesus não somente deixam claro que Ele estava consciente entre a morte e a ressurreição, mas também que estaria com o Pai no céu (cf. 24.44; 2 Co 12.2,4).

João 19.30
“Jesus [...] disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”. Aqui, novamente, Jesus entregou seu espírito do Pai, dando a entender que conscientemente estaria com Ele. Esta afirmação também é respaldada pelas palavras que Ele disse, que estaria com o Pai quando morresse (cf. 14.12).

Atos 7.56,59
[Estevão] disse: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus [...]" E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito Isto mostra que o espírito (1) é separado do corpo. 2) sobrevive à morte, e (3) estará com o Senhor. Observe que, no momento da morte de Estevão, o Senhor estava no céu para receber o seu espírito.


1 Corintios 5.5
“[Que esta pessoa] seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espirito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”. Aqui, diferentemente da carne, Paulo fala do espírito humano, que sobrevive à morte e pode ser “salvo”, ensinando, outra vez, que os seres humanos podem sobreviver em um estado desencarnado.


2 Corintios 5.1-3,8
Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus [...] Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor. Apesar das perguntas sobre se a “habitação” que é do céu (o corpo celestial) é uma referência ao corpo intermediário ou ao corpo da ressurreição, pelo menos três fatos são evidentes:
(1) Existe alguma coisa espiritual (imaterial) que sobrevive à morte.

(2) Para os crentes, esta alguma coisa espiritual (espírito/alma) sobrevive conscientemente em um lugar de felicidade (“com o Senhor”).

(3) Até que receba outro corpo, o espírito/alma está, de alguma maneira, “nu” ou incompleto (v. 3).


Filipenses 1.21
“O viver é Cristo, e o morrer é ganho”. Não existe sentido razoável em que a morte possa ser ganho, se a pessoa é aniquilada (desligada da existência) ou separada da consciência no momento da morte; na aniquilação, a morte significa perda—não somente a perda da vida, mas também a perda da existência19. E um engano supremo afirmar que nada é melhor do que alguma coisa. Nada é nada, então não pode ser melhor do que alguma coisa.


Filipenses 1.23,24
“Mas de ambos os lados [vida e morte] estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne”. Esta passagem deixa pouca dúvida de que Paulo ensinou que o homem espiritual, separado da sua “carne”, irá sobreviver à morte e “estará com Cristo” em um estado consciente. Além disto, a inconsciência entre a morte e a ressurreição dificilmente pode ser descrita como uma condição “muito melhor”; a não-existência é um estado de nada, de vazio.


Hebreus 12.22,23
Chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial [...] à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. Esta referência é, sem dúvida, ao céu, e a um ponto antes da ressurreição final; os espíritos humanos justos estão ali em uma condição perfeita enquanto seus corpos, obviamente, ainda estão na sepultura.


Apocalipse 6.9,10
E, havendo [o Cordeiro] aberto o quinto selo, [eu, João] vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
João chama estes mártires desencarnados, cujos corpos ficam na terra, de “almas” no céu. Na sua visão, elas não somente estavam conscientes, mas orando e interessadas no plano de Deus sobre a terra. Fica claro, novamente, que a alma (imaterial) conscientemente sobrevive à morte desligada do corpo (material), com que espera reunir-se na ressurreição.


Apocalipse 19.20
“E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais [...] Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre”. Mil anos depois, eles ainda estavam conscientes, pois “o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (20.10). Na visão de João, eles ainda estavam conscientes, e continuarão conscientes eternamente; as pessoas que não estão conscientes não podem ser atormentadas.


Apocalipse 20:4
João disse: “E vi [no céu] as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus”. Este é, provavelmente, o mesmo grupo mencionado em Apocalipse 6.9; aqui também estão em uma condição consciente, celestial e desencarnada.


RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES CONTRA A SOBREVIVÊNCIA CONSCIENTE
Muitos argumentos foram apresentados contra o ensinamento bíblico de que a alma existe em um estado consciente, entre a morte e a ressurreição.
Objeção Um: Baseada nas Descrições Bíblicas da Morte com o um “Sono ”
Jesus disse: “Lázaro, o nosso amigo, dorme; mas vou despertá-lo do sono” (Jo 11.11). Paulo usou a mesma palavra para referir-se aos entes queridos falecidos: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: Nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem” (1 Ts 4.15). “Dormir” não implica um estado de inconsciência?

Resposta à Objeção Um
Esta opinião deve ser rejeitada por vários motivos.
Primeiro, como demonstrado anteriormente, a alma permanece consciente depois da morte .
Segundo, somente o corpo morre, portanto somente o corpo pode ressuscitar. Jesus referiu-se à ressurreição do corpo como o despertar de um sono (Jo 5.28,29; cf. 11.11,14).
Terceiro, considerando o que Jesus disse, “dormir” e “estar morto” significavam a mesma coisa (cf. Jo 11.11,14); o corpo está morto, mas a alma, não.
Quarto, “dormir” é uma figura de linguagem apropriada sobre a morte, uma vez que ambas têm a mesma postura; ambas são temporárias, e ambas são seguidas por um despertar e um levantar-se novamente. Portanto, estes textos não respaldam o conceito de que a alma perde a consciência na morte.

Objeção Dois: Baseada na Analogia com Animais
Formas superiores de animais têm almas, uma vez que a mesma palavra hebraica para alma (nephesh) é usada a respeito de animais, assim como a palavra espírito (ruah; cf. Ec 3.21)38. Se as almas dos animais não sobrevivem à morte, por que não deveríamos supor que a mesma coisa é verdadeira com os seres humanos?

Resposta à Objeção Dois
Existem diferenças significativas entre as almas humanas e as dos animais.
Primeiro, os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.27), e dominam sobre os animais (v. 28).
Segundo, os seres humanos ressuscitarão39, ao passo que não existe evidência de que isto acontecerá com os animais.
Terceiro, a Bíblia afirma claramente que a alma humana está consciente depois da morte, mas a alma do animal não está (veja Ec 3.21). A luz destas substanciais discrepâncias, a analogia não resiste.

Objeção Três : Baseada em 2 Corintios 5.1
“Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus”. Nesta passagem, Paulo parece estar dizendo que uma pessoa recebe o seu corpo ressurreto imediatamente depois da morte. Se isto for verdade, então não haveria estado intermediário envolvendo uma alma consciente e desencarnada. Esta afirmação de Paulo não dá nenhuma indicação da existência de qualquer intervalo entre a morte e a recepção deste corpo permanente, o corpo da ressurreição.

Resposta à Objeção Três
Existem pelo menos duas outras possíveis interpretações desta passagem que não negam um estado intermediário desencarnado. A interpretação de um corpo transitório é sustentada por aqueles que alegam que um corpo espiritual intermediário é fornecido na morte; com isto, a alma jamais desencarna. Outros opinam que Paulo não afirma categoricamente que o corpo é recebido no instante da morte, mas simplesmente antecipa o estado da ressurreição final. Esta última interpretação se encaixa melhor na declaração de Paulo a respeito do corpo da ressurreição final em 1 Corintios 15.42-44. Esta interpretação de um corpo transitório entra em conflito com as outras referências das Escrituras a um estado desencarnado entre a morte e a ressurreição. Assim, em 2 Corintios 5.1, em lugar de dar a entender que a alma está inconsciente ou que recebe um corpo intermediário, Paulo provavelmente está ensinando que, depois da morte , vem a antecipação final do corpo ressurreto permanente. Isto também se encaixa na sua afirmação anterior: “isto que é mortal se revista da imortalidade” (v. 53).

Objeção Quatro: Baseada na Visão Hilomórficade Alma /Corpo
Nós afirmamos anteriormente42 que o homem é uma unidade hilomórfica (lit. “forma/matéria”) de alma e corpo; como tal, a consequência parece ser que uma alma não pode sobreviver sem um corpo. Se a encarnação é um veículo necessário para a alma, como poderia ela sobreviver sozinha?

Resposta à Objeção Quatro
Se a alma e o corpo fossem idênticos, então um não poderia sobreviver sem o outro. No entanto, o corpo e a alma são uma unidade, não uma identidade; este é um dos principais problemas com o monismo antropológico. A alma é para o corpo o que o pensamento (imaterial) é para as palavras escritas no papel (material) — o pensamento, expresso por meio de palavras, permanece mesmo quando o papel já não existe.
A Bíblia ensina que a alma sobrevive quando o corpo morre. Sim, a alma é incompleta sem o corpo, e ela espera a ressurreição, quando será completa outra vez (2 Co 5.1); mas a sobrevivência, como uma alma nua, não é impossível. Deus e os anjos são puro espírito (Jo 4.24; Hb 1.14), eles existem sem um corpo. Além disto, entre a sua morte e a sua ressurreição, Cristo existiu sem o seu corpo. Conseqüentemente, a objeção fracassa.

Objeção Cinco: Baseada nos Argumentos a favor do Monismo Antropológico
Os argumentos básicos das Escrituras a favor do monismo antropológico (uma identidade corpo/alma) se originam da natureza dos seres humanos e de uma suposta unicidade de corpo e alma. O argumento é de que os seres humanos têm uma única natureza — uma natureza humana (cf. At 17.26) — e que esta natureza é compartilhada igualmente por todos os seres humanos. Portanto, alma e corpo devem ser uma única natureza, e não duas naturezas.

Resposta à Objeção Cinco
Estes dados podem ser interpretados de outra maneira, a saber, como hilomorfismo, uma unidade forma/matéria, em lugar de uma identidade. Por exemplo, existe uma unidade entre um padrão e uma veste, mas os dois não são idênticos, e o primeiro sobrevive, enquanto a veste perece. Além disto, é verdade que nós temos uma única natureza, mas ela tem duas dimensões, como foi demonstrado acima. As duas não podem ser idênticas, porque uma delas é material e a outra é imaterial; uma delas é perecível e a outra não perecerá.



 Itard Víctor Camboim de Lima 30/11/2013.


Fonte (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. vol 2. p, 684- 696).